A Pós-Modernidade E A Street Art!

Incrível! Como saber o que é real e o que não é? Só de olhar fica difícil distinguir a rua, a pintura, o concreto, a matéria, da nossa imaginação flutuando pela incerteza de tropeçar no céu, de cair num poço sem fim. Isso tudo enquanto passeia pela rua.

Se vivemos em tempos de incerteza, em tempos líquidos, onde o medo é banalizado para o cotidiano, onde personificamos em determinados grupos sociais o terror de um inimigo que nunca vai embora, então a arte da incerteza, da angustia, é uma arte que nos representa de maneira perfeita.

A fluida realidade acaba sendo vista nos relacionamentos amorosos, na sua não-necessidade de formalizações que possam fixar os parceiros, onde a fluidez, a capacidade de desconexão é mais importante que a relação firmada. É assim que o mais importante se torna estar livre para escolher qualquer parceiro melhor que o atual, portanto, qualquer mercadoria para ser livremente consumida sem os entraves de alguma moral rígida.

Um tipo de utilitarismo, entretanto, que está incessantemente sendo colocado à prova, já que as novidades pulam aos nossos olhos a cada instante e a cada instante devemos atualizar nossas posses e nossos serviços contratados.

O outro é um balde de incerteza, uma incerteza que nunca será totalmente prevista. Nunca poderá ser prevista. Mas poderia ser pressuposta! Mas essa não é uma opção em uma sociedade global onde a medida de tudo é unicamente o próprio indivíduo. E medir tudo é imposto como liberdade. Os relacionamentos são, então, pontes de insegurança, que só podem ser denominadas como conexão.

São estas pontes de insegurança que traçam e fazem correr o pânico do nosso início de século e traduzem a falta de regras fixas para mediar as relações humanas. Quando o céu está na terra, pode ser que a terra esteja no céu.

É dessa forma que ir até à padaria se transmuta na pior experiência possível. É aí que o pai que foi comprar cigarros nunca mais volta.

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