“Polícia fascista, vai tomar no cu!” – Quarto ato contra o aumento da passagem em SP (13/06)

O ato do dia 13/06, na quinta-feira, foi brutal. Estávamos maiores e mais fortes, mas a polícia também. O aparelho mostrou suas técnicas e tecnologias, além de ter mostrado claramente que queriam atacar – de maneira pura e simples. Não houve nem mesmo algo que se chame de repressão… Eu digo isso, pois parece que a polícia queria atacar. Só isso. Atacar. O objetivo era destroçar toda a manifestação.

O mais incrível é o medo. A polícia tem o suporte do medo pra conseguir reprimir a manifestação. Não são só as armas e táticas de repressão. Há, ainda, todo o imaginário que os cobrem. Cada passo da polícia para nosso lado é um passo daquele que pode te esmagar e jogar dentro da cadeia. Cada passo da polícia é o passo daquele que tem arma pra ataque, contra aqueles que, por sua vez, só tinham equipamentos improvisados de defesa.

E foi isso que rolou logo no primeiro encontro, na Consolação. Não conseguimos realizar muito do Ato, pois fomos atacados logo de início.

Depois nos concentramos na Praça Roosevelt. De lá, tentamos subir a Augusta e as ruas paralelas. O resultado foi inacreditável: polícia em todas as entradas da Paulista, e em todas as imediações, barricadas de lixo e fogo. Só podíamos nos defender assim, com fogo e lixo. Era o que tínhamos. Esses eram os vândalos.

É claro que houve violência policial, gente ferida e muita repressão. Mas o que me chamou atenção particularmente foi a caça-manifestante da Polícia Militar. Como falei, fiquei em um grupo disperso, mas, em cada momento, tínhamos que correr de policiais de motocicletas, carros ou da própria Tropa de Choque, descendo a rua e ~protegendo~a Paulista.

Muita gente foi parada por estar de mochila e um punhado foi levado à delegacia por ‘porte ilegal de vinagre’. Vinagre. Um possível ingrediente pra bombas caseiras… Pelo amor de Deus, não há relação nenhuma das manifestações com o uso de bombas caseiras feitas à base de vinagre: a relação é do vinagre com seus efeitos amenizadores do gás lacrimogênio, que, diga-se de passagem, a polícia não deixou de usar. O estoque era grande, pois usaram muito, em todos os momentos e em qualquer agrupamento de manifestantes.

Nos buscavam em qualquer grupinho. Qualquer acumulação de pessoas era motivo para bombas. Tudo foi feito, todo tipo de violência foi utilizada. Em São Paulo, choveu gás lacrimogênio. Pra quem dizia que os manifestantes estavam ‘brincando de Maio de 68’, a polícia mostra que não há brincadeira nenhuma. Que o clima caminha para ser o mesmo.

É óbvio que já não se trata mais do aumento da passagem. Se trata de muito mais, se trata de toda uma política repressora e de utilizações de aparelhos de repressão que são resquícios da ditadura militar. A tarifa precisa ser zero e a polícia militar precisa acabar. Não há amor, não há entrega de flores. Somos manifestantes com um objetivo claro: transformar a estrutura caduca daquilo que se chama democracia em nosso país.

Por ousarmos lutar contra algo tão grande, contra o próprio aparelho, que somos tão massacrados pela mídia e pelo Estado. Não há nada que não poderá ser feito, mas temos que fazer em coletivo, temos que unir nossas forças nas manifestações. O clima não melhorou em nenhuma momento até às 23 horas, depois do último confronto na Paulista onde, cruelmente, jogaram gás em um grupo de 50 (talvez menos) estudantes sentados perto do MASP.

Chegou um momento em que achamos que não teria jeito de sair de ficar na manifestação sem ser surrado a cada 10 minutos. Sem ficar com medo ou ter que fugir de gás a cada esquina. O que fazer? Só digo uma coisa: força na segunda-feira, que o Quinto Grande Ato seja o Ato definitivo!

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