Um Cão Andaluz: filme surrealista de Luiz Buñuel e Salvador Dalí

Um Cão Andaluz é o filme surrealista de Luis Buñuel e Salvador Dalí lançado em 1929 e apresentado para um grupo seleto de surrealistas, como André Breton, o autor do Manifesto Surrealista - reza a lenda que ambos os autores levaram pedras para se defender dos ataques da plateia, entretanto, todos gostaram e o filme se tornou uma "leitura obrigatória" para quem deseja entrar no mundo do cinema surreal.

Um Cão Andaluz é o filme surrealista de Luis Buñuel e Salvador Dalí lançado em 1929 e apresentado para um grupo seleto de surrealistas, como André Breton, o autor do Manifesto Surrealista – reza a lenda que ambos os autores levaram pedras para se defender dos ataques da plateia, entretanto, todos gostaram e, além de ser a porta de entrada de Buñuel no movimento surrealista, o filme se tornou uma “leitura obrigatória” para quem deseja entrar no mundo do cinema surreal.

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Luis Buñuel

Primeiramente, a ideia nasceu nos sonhos de Buñuel e Dalí. Buñuel dizia ter sonhado com uma nuvem que cortava a lua como uma lâmina cortando um olho, já Dalí havia sonhado claramente com formigas saindo de suas mãos. Ambos se juntaram, pegaram dinheiro da mãe de Buñuel, de família abastada, e decidiram fazer o curta-metragem.

Segundo o Manifesto Surrealista, um dos princípios das construções de enunciados é a distância entre os significados. O inconsciente se manifesta no automatismo e a falta de lógica e linearidade representa essa lógica do inconsciente que não é lógica nenhuma para a consciência desperta.

Se trata de um filme sem significado, que quebra qualquer padrão cinematográfico da época e qualquer padrão atual, e que impossibilita qualquer interpretação objetiva. O inconsciente se expressa de maneira tão crua que não é possível saber o que está passando.

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A cena do olho cortado.

Não há como estabelecer categorias religiosas só por que há dois padres e tábuas dos dez mandamentos, assim como não é possível estabelecer categorias sociais só por que um homem é colocado em frente à parede “de castigo”. Não há categorias que se encaixem, o filme é puro caos.

Tangos e pedaços de Wagner são tocados durante o filme, que pode ser lido como um grande vídeo-clipe da combinação dessas músicas. Os efeitos especiais, como na parte em que o olho é cortado ou na cena em que as formigas saem da mão do homem, eram geniais e avançadíssimos para a época, assim como a cena de nudez e os amassos que acontecem entre um casal. Tudo aquilo que não significava nada tinha a força de um tapa na cara da sociedade de valores burgueses.

O filme é considerado como a base para o terror e para a suspense, assim como a inspiração básica de qualquer cinema fora da indústria cultural.

Veja o curta abaixo:

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