A artista que deixa cair ovos de sua vagina – ou por que a arte performática é tão boba

A arte performática é uma piada. Levada terrivelmente à sério pelo mundo da arte, é um teste de pretensão e desonestidade intelectual. Se você está fascinado por isso, também está suscetível à babaquices pseudo-intelectuais ou à mentiras.

De Jonathan Jones, publicado originalmente no Guardian.
Tradução por Vinicius Siqueira.

A arte performática é uma piada. Levada terrivelmente à sério pelo mundo da arte, é um teste de pretensão e desonestidade intelectual. Se você está fascinado por isso, também está suscetível à babaquices pseudo-intelectuais ou à mentiras.

artistas ovo vagina
Miló Moire e sua performance na Art Cologne 2014

Isso é exagerar o caso? Provavelmente. Aconteceram trabalhos poderosos de arte performática – mas a maioria deles tomou lugar há muito tempo, no início dos anos 70, quando Marina Abramovic e Chris Burden arriscavam tudo com seus gostos. Ou talvez a idade de ouro da arte performática está localizada há mais tempo ainda, nos dias do Cabaré Voltaire, em Zurich, em 1916. Voltando à realidade, a performance dadaísta era uma verdadeira ameaça à sociedade, quando Hugo Ball se vestiu como um mago e começou a declamar palavras que faziam tão pouco sentido quanto a guerra mundial que estava em fúria.

Hoje, a maioria da arte que se diz parte desta tradição moderna de performance é uma revelação embaraçosa da distância do mundo mundo da arte dos reais valores ascéticos e da própria vida real. Tome como exemplo a última tela feita com ovos de tinta descendo da vagina da artista, na Alemanha.

A artista performática Milo Moiré criou pinturas abstratas empurrando ovos preenchidos com tinta para fora de sua vagina. Ela fez isso desta maneira ficando pelada em frente a sua audiência. A nudez, aparentemente, é artisticamente essencial. Se percebe que, para o ato de empurrar ovos preenchidos com tinta para fora do corpo, isto é – sem sombra de dúvidas, percebe-se – uma poderosa afirmação sobre a mulher, fertilidade e criatividade.

E este ainda nem é a afirmação forte de tudo. Isto é absurdo, gratuito, banal e desesperado. Em qualquer lugar diferente de uma exposição de arte, isto seria lembrado como uma sátira do vazio cultural moderno.

E esta é a coisa sobre a arte performática – ela foi colocada de maneira correta como algo para ser satirizado. Quando o diretor Paolo Sorrentino quis capturar a falta de brilho na cultura da Europa contemporânea em seu filme A Grande Beleza, o que ele nos mostra? Arte performática, naturalmente. Um grupo de artistas alternativos assistem uma mulher correr para um aqueduto de pedra e bater violentamente sua cabeça contra ele. Depois disso, ela luta para tentar se explicar em uma embaraçosa entrevista.

No quesito de fazer piada com a parte mais frágil do mundo da arte, Sorrentino não é lá essas coisas. Há uma piada antiga que representa bem seu sentimento nostálgico. Nos anos 70, a arte performática já era cômica. A sátira perfeita foi criada pelos Muppet’s, quando Gonzo bate em uma pedra com um martelo enquanto grita “arte!”.

Arte performática é engraçado por um simples motivo – ela se leva à sério mais do que se justifica. Qualquer coisa que se leva à sério, convida à sátira, da política até a religião: mas quando a distância entre a importância ostentada e a bobice auto-evidente é tão vasta quanto é neste exemplo de arte performática promovida por Milo Moiré, a única resposta honesta é o riso. Adicionado a isso a pomposidade de uma arte cult que defendo este tipo de coisa contra o bullying alheio da plateia, você já obtém um pelo lugar para uma sátira mordaz.

Se arte performática não existe, comentários nervosos do mundo moderno teriam que criá-la. O que mais captura tão perfeitamente a inanição cultural de nosso tempo?

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