Democracia da informação é o terror de uma imprensa tirana

Um espectro ronda a imprensa de todo o mundo – o espectro da democracia da informação. Todas as potências midiáticas uniram-se numa santa aliança a esse espectro, que assola a hegemonia com base na sonegação informacional.

A explosão do jornalismo

Um espectro ronda a imprensa de todo o mundo – o espectro da democracia da informação. Todas as potências midiáticas uniram-se numa santa aliança a esse espectro, que assola a hegemonia com base na sonegação informacional.

Se Karl Marx fosse um teórico da comunicação do século XXI, talvez tivesse iniciado o preâmbulo de seu “Manifesto” com o parágrafo acima. Mas quem analisa o atual cenário comunicacional dessa maneira, ainda que de modo menos apocalíptico que Marx, é o jornalista e sociólogo espanhol Ignacio Ramonet, ex-diretor do jornal francês Le Monde Diplomatique.

Em seu mais recente livro, “A Explosão do Jornalismo: das mídias de massa à massa de mídias”, publicado pela Editora Publisher Brasil, em 2012, Ramonet discute a crise do modelo de negócios jornalístico frente ao surgimento da internet e das transformações socioculturais e econômicas geradas por conta do crescimento da rede.

À semelhança de Shakespeare, para quem o mundo era um palco, Ramonet reflete sobre a representação de “web-atores” no cenário contemporâneo da informação: seres que participam do jogo cênico e ampliam o debate dos fatos e, consequentemente, colocam em cheque a credibilidade e a veracidade daquilo que é reportado por veículos tradicionais da mídia global.

O fenômeno WikiLeaks, por exemplo, site fundado em 2006 por internautas anônimos, cuja missão é colher e difundir informações confidenciais e colocá-las ao alcance de todos os cidadãos, ganha um capítulo à parte no livro de Ramonet, que o aponta como “um momento maior na história do jornalismo”.

O capítulo oferece uma oportunidade única para os leitores conhecerem um pouco melhor as ideias de Julian Assange e saberem os motivos que levaram o porta-voz do WikiLeaks a ser considerado inimigo número um das autoridades norte-americanas, e a ser procurado pela Interpol em mais de 188 países.

Em suma, “A Explosão do Jornalismo: das mídias de massa à massa de mídias”, coloca questões incisivas e de impreterível discussão para comunicadores em todo o mundo: “Por que as oligarquias midiáticas contribuem para a crise de identidade dos jornais?”; “Como elas colaboram para a perda de qualidade das notícias e para a desvalorização do profissional jornalista?”; “O que serão dos monopólios da informação na era da comunicação alternativa?”.

Ramonet faz um convite à reflexão àqueles que enfrentam uma crise sistêmica; um convite aos próprios jornalistas que hoje, submetidos a precárias e exaustivas condições de trabalho, já não apresentam a dicotomia intelectual-crítica necessárias para dar qualidade substancial ao que produzem.

 

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