Desmentindo boatos: site é criado para caguetar virais mentirosos

A internet é um espaço social de relevância, uma prova é a criação de um portal para apurar os grandes virais e encontrar sua fonte original. Notícias são produtoras de verdades, desconstruí-las é quebrar mitos.

Edgard Matsuki
A ideia do jornalista Edgard Matsuki é desmentir tais notícias

A internet e as redes sociais se mostram, mais uma vez, parte integrante da socialização na modernidade líquida. Desta vez, foi necessário criar uma agência de notícias para desmentir boatos que tomam proporções astronômicas no facebook, twitter e outras redes. As informações são do Portal Imprensa.

O jornalista Edgard Matsuki, junto a recém-formados em jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, se reuniram para levar a cabo a difícil tarefa de apurar uma notícia após gerar o primeiro buzz nas redes sociais. “Podemos verificar alguns casos de notícias que enganaram jornalistas que não conseguiram checar corretamente uma informação”, conta o jornalista que fundou o site Boatos.org.

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A necessidade de se criar um instrumento para verificação da veracidade de uma notícia que tem muitos compartilhamentos e curtidas é uma prova de que as redes sociais são espaços relevantes. Se fosse um mundo à parte, não seria necessário criar uma (possível) autoridade de vigilância.

O site foi o primeiro a dedurar a notícia que publicava uma declaração do jogador Slimani, da Argélia, em que afirmava que a seleção de seu país doaria todo o dinheiro ganho na copa para as vítimas de Gaza.

Quando os jornais dependem cada vez mais de anúncios, não importa mais apurar uma notícia. A construção de uma matéria acontece sem nem mesmo haver um fato: o furo de reportagem aumenta os cliques, que aumenta a publicidade; os jornais não sobrevivem no mercado se não produzirem o conteúdo que for relevante para ele. A notícia relevante é a curta e bombástica, é aquela que se pode esquecer no outro dia, mas que no mesmo instante tem o peso de uma bigorna.

Segundo Matsuki, o Google precisa ser utilizado para apurar uma notícia, já que ele é um imenso arquivo, lá pode-se encontrar “fotos ou datas de indexação das matérias. É possível fazer uma engenharia reversa de uma história”.

O papel do google como “grande arquivo”, das redes sociais como espaço de socialização e dos portais de notícias como produtores da verdade (mas uma verdade criada sob os interesses do mercado) mostram que o ambiente virtual é um lugar importante e digno de luta: talvez não uma luta iluminista pela “veracidade dos fatos”, mas um luta de produção da verdade.

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