O 11 de Setembro latino-americano

Há exatamente 41 anos o Chile sofria um golpe de Estado, o qual colocou um fim ao sonho socialista de Salvador Allende. Foi instaurada uma ditadura militar encabeçada pelo general Augusto Pinochet, vitimando milhares de pessoas.

Allende acreditava que o socialismo poderia ser instaurado pela via democrática. Dizia-se libertário, e negava o uso da força para conseguir avançar sua causa, preferindo sempre o diálogo e a democracia, e era um homem que conseguia mobilizar as pessoas em torno de uma causa comum. Porém, em praticamente toda a América do Sul existiam governos ditatoriais que receberam o apoio americano — ou foram instaurados pelo próprio –, pois o governo estadunidense não aceitava que em sua zona de influência houvesse outro país que abraçasse o socialismo como Cuba o fez.

Allende fez uma extensiva campanha, dialogou com a classe trabalhadora Chilena e conseguiu ser eleito, mesmo que com pouco apoio no congresso. Realizou a reforma agrária e nacionalizou empresas. No entanto, seu governo não foi nem um pouco estável, pois a economia Chilena dependia muito da produção de peças e produtos norte-americanas, e com uma política externa não muito amigável a Allende, houve crises de produção e paralisações. O apoio de Fidel Castro fez com que as tensões aumentassem ainda mais entre Allende, a classe média Chilena e o governo intervencionista dos EUA.

A crise instaurada em seu governo se aprofundou até o golpe de Estado em 11 de setembro de 1973, o qual pôs um fim ao governo de Allende e iniciou uma ditadura militar que duraria até 1990.

Sob a ótica de um cineasta que viveu essa época é que esse documentário é feito. Ele, como muitas pessoas exiladas pela ditadura de Pinochet, sentem-se como estranhas em sua própria terra, mas nunca esqueceram dos seus sonhos e lutas de então.

Em uma época em que vivemos uma ascensão conservadora tremenda, não só na América Latina como no mundo, é necessário relembrar que sempre houve um sonho de um mundo melhor e mais justo para a classe trabalhadora Latino-americana. Devemos, mais do que nunca, estar unidos para construir esse futuro. Allende, assim como vários revolucionários e militantes que lutaram e pereceram pela causa socialista nos deixam esse legado. Como dizia Pedro Simón, “É difícil encontrar alguém com o espírito de luta, a coragem e a história de Allende. Ele foi um homem que, na verdade, teve o nome marcado na história: democraticamente a esquerda chegou ao poder, e pelas bombas foi apeada do governo.”

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