A agressão nossa de cada dia mata

A apropriação do espaço público da internet como um local privado, usado para defender interesses próprios, sem pensar na coletividade, faz com que opiniões agressivas se proliferem, baseadas no conceito da liberdade de expressão. Mas é preciso pensar até onde vai o nosso direito à liberdade de expressão e quando começamos a invadir o espaço do outro. Liberdade de expressão não pode ser confundida com liberdade de opressão. Ainda é liberdade de expressão quando deixo de respeitar o outro?

AGRESSAO29062011214807_medEstamos em tempos que é muito difícil acessar sites de notícias, redes sociais ou vídeos sem sermos agredido por alguém. A apropriação do espaço público da internet como um local privado, usado para defender interesses próprios, sem pensar na coletividade, faz com que opiniões agressivas se proliferem, baseadas no conceito da liberdade de expressão. Mas é preciso pensar até onde vai o nosso direito à liberdade de expressão e quando começamos a invadir o espaço do outro. Liberdade de expressão não pode ser confundida com liberdade de opressão. Ainda é liberdade de expressão quando deixo de respeitar o outro?

O ódio e o preconceito se proliferam na rede de maneiras monstruosas. A internet possui um poder que ainda não temos pleno conhecimento, as barreiras ficam para quem não tem acesso. Quem se conecta à rede, pode encontrar os mais diversos assuntos e não consegue fugir dos comentaristas de plantão. Tem pessoas que parecem ficar procurando conteúdos com os quais não concordam para soltarem suas proezas. Aí vem a resposta, que, na maioria das vezes, não é menos agressiva. Agressão contra agressão.

É preciso mais cuidado com o que reproduzimos, com o que falamos, na rede e fora dela. A mídia então possui um poder maior ainda. Sinal disso é o efeito Sheherazade, que fez proliferar os casos de “justiça” com as próprias mãos, mas não, ela não é violenta, é cristã. O candidato à presidência Levy Fidelix usou o debate na Record para ofender os usuários de drogas e os homossexuais, soltando frases como “eles são um peso para o estado”, “aparelho excretor não reproduz” ou “que vão receber tratamento bem longe daqui”. Pensei que ele se desculparia, fui inocente.

Sheherazade foi “obrigada” a blindar o seu carro. O comitê de Fidelix amanheceu fechado e com seguranças particulares, mas ele quer apoio da Polícia Federal. Como pessoas que dizem não incitar a violência, afinal são “pessoas de bem”, têm tanto medo da reação que suas palavras irão causar? Até onde essas pessoas podem usar concessões públicas, como a televisão, para proliferarem o ódio contra o próximo? Neles, o ego do eu é tão grande que não há espaço para a existência do outro.

Parece que só essas pessoas têm tanto poder, mas não é assim. Podemos observar isso na internet. Vazamento de imagens, ciberbullying, páginas criadas para expor pessoas, páginas que incitam o ódio, a violência e o preconceito. Isso causa efeito inesperado nos usuários. Casos de depressão, adolescentes que não querem mais sair de casa, linchamentos e até suicídos são algumas das consequências desses efeitos midiáticos, sendo proclamados e defendidos por famosos ou anônimos. Talvez seja necessária uma reapropriação dos espaço e concessões públicas, afinal preconceito mata.

2 Comments

  1. Bela reflexão!
    Me fez lembrar deu um artigo que li sobre o direito de resposta a erros da imprensa (que para mim não estão tão distantes do assunto que abordaste), pois os malefícios são muito parecidos aos que ficam propensos a essas agressões virtuais.
    O direito de resposta é, quando há, é exposto num formato completamente diferente a notícia, notas frias em letra comum, etc.. As agressões também tem um formato sempre muito mais atraente que um direito de resposta concedido pela mídia tradicional ou pela justiça. Não estamos acostumados a rever temas aos quais já foram interpretados por nós e é por isso que espaços como este são tão importantes.
    Parabéns pelo texto e um abraço!

    1. Olá Davenir, tudo bem?
      Fico feliz que tenhas gostado do texto. Concordo com o que tu falas. Resguardadas as proporções, é o mesmo que acontece nesses casos de retratação. O efeito nunca é o mesmo e não irá mais atingir todo o público que viu a notícia anterior. A mídia sempre foi uma máquina de construir e acabar com reputações. Hoje, com a internet, todos estamos sujeitos a isso.
      Obrigada, abraço.

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