O que é discurso? Uma abordagem Foucaultiana

A noção Foucaultiana do discurso afirma que "o discurso é uma representação culturalmente construída pela realidade, não uma cópia exata." (...) No entanto há uma grande gama de críticas sobre essa teoria social – o quanto se nega a realidade material, se ela não permite agência, se algo precede o discurso, etc.

Artigo de Pat Thompson publicado originalmente em seu blog patthomson.wordpress.com.

Michel Foucault respondeu a pergunta sobre o que é o discurso.
O que é discurso? Michel Foucault foi um dos responsáveis pela resposta a essa pergunta.

O que é discurso? A noção Foucaultiana do discurso[1] afirma que “o discurso é uma representação culturalmente construída pela realidade, não uma cópia exata.”

  • O discurso constrói o conhecimento, portanto, regula através da produção de categorias de conhecimento e conjuntos de textos o que é possível de ser falado e o que não é (como as regras concedidas de inclusão/exclusão). Assim ele re/produz poder e conhecimento simultaneamente.
  • O discurso define o sujeito, moldando e posicionando quem ele é e o que ele é capaz de fazer.
  • O poder circula pela sociedade e, ao mesmo tempo hierarquizado, não é simplesmente um fenômeno que vai de cima para baixo.
  • É possível examinar regimes de poder através da desconstrução histórica de sistemas ou regimes como geradores de opiniões, significados e como discurso. Isso faz com que possamos ver como e por que algumas categorias do pensamento e linhas de argumentação se tornam geralmente verdades enquanto outras maneiras de pensar, ser e agir são marginalizadas.

No entanto, há uma grande gama de críticas sobre essa teoria social – o quanto se nega a realidade material, se ela não permite agência, se algo precede o discurso, etc [2].

Segundo Foucault, o discurso não é um tipo de ente metafísico, constituído a priori dos outros elementos da sociedade, no entanto, há uma precedência: um discurso não está sozinho na história e segue as relações já postas pelos saberes e pelas instituições já estabelecidas, que lhe dão uma determinada positividade. Essa positividade desempenha o papel de um a priori histórico[3].

Mas o que é discurso? Ele é justamente o conjunto de enunciados, sob uma dada formação discursiva, praticados ao longo do tempo. A formação discursiva[4] é a regularidade existente na dispersão do conjunto de enunciados estudados (caso não encontre um sistema, uma regularidade na dispersão dos enunciados, então não há um discurso).

Essa regularidade, por sua vez, é feita por regras. As chamamos de regras de formação[5], pois são as orientações que os enunciados se enquadram para pertencer a uma dada formação discursiva (e ao discurso, consequentemente). A análise do discurso foucaultiana trata o discurso sempre sob uma prática discursiva, sempre em sua realidade, no fato dos enunciados ditos, não na possibilidade abstrata de um enunciado se realizar.

O que é discurso? 5 perguntas necessárias

Transformar essa forma de compreensão de o que é discurso em método para ser aplicada em análises textuais significa fazer perguntas como:

  1. O que está sendo representado aqui como verdade e como norma?
  2. Como isso é construído? Quais evidências são usadas? O que foi deixado de fora? O que está em primeiro plano e o que está em segundo plano?
  3. Quais interesses estão sendo mobilizados e quais não estão?
  4. Como isso tem se manifestado?
  5. Quais identidades, ações, práticas são possíveis/ou desejáveis/ou requeridas por esse modo de pensar/falar/compreender? O que é proibido? O que é normalizado e o que se torna patológico?

Referências

[1] M. Foucault, A Arqueologia do Saber (Londres: Routledge, 1972/1995 ed, trans R. Sheridan); ver também M Foucault, ‘Politics and The Study of Discourse’ in The Foucault Effect: Studies in Governmentality , Graham Burchell, Colin Gordon and Peter Miller (Chicago: University of Chicago Press, 1991), 53-72.

[2] Nancy Hartsock ‘Foucault on Power: A Theory for Women?’ in Feminism/ Postmodernism, Linda Nicholson(Londres:Routledge 1990), 1557-175; Paul Sawicki Foucault e o feminismo(e no interior do próprio feminismo); Feminism Interpretaion of Foucalt, Susan Hekman(Pensilvania: Universidade da Pensilvania, 1996); David Hoy, ‘’Foucalt and Critical Theory’’; The Later Foucalt, Jermy Moss (Londres, Sage, 1998), 18-32.

[3] FOUCAULT, Michel. O A Priori Histórico e o Arquivo IN: A Arqueologia do Saber. 8ª edição, Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2012, p.155.

[4] FOUCAULT, Michel. As formações discursivas IN: A Arqueologia do Saber. 8ª edição, Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2012, p.47.

[5] FOUCAULT, Michel. As formações discursivas IN: A Arqueologia do Saber. 8ª edição, Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2012, p.47.

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