Segundo Bolsonaro, algumas mulheres merecem ser estupradas

Jair Bolsonaro (PP) voltou a ofender a deputada Maria do Rosário (PT-RS). Em plenário, o parlamentar declarou que não a estupraria porque ela não mereceria - deixando implícito que algumas mulheres poderiam merecer tal violência.

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Os deputados Jair Bolsonaro e Maria do Rosário (Foto: Gabriela Korossy e Luis Macedo / Câmara dos Deputados).

O deputado Jair Bolsonaro (PP), nesta terça-feira (9), voltou a ofender a deputada Maria do Rosário (PT-RS). Em plenário, o parlamentar declarou que não a estupraria porque ela não mereceria – deixando implícito que algumas mulheres poderiam merecer tal violência. A frase foi dita no início de sua fala (veja o vídeo no fim da matéria), logo após a deputada petista criticar duramente a ditadura militar brasileira. As informações são da Revista Fórum.

“Fica aí, Maria do Rosário, fica. Há poucos dias, tu me chamou de estuprador, no Salão Verde, e eu falei que não ia estuprar você porque você não merece. Fica aqui pra ouvir”, gritava o deputado no início de sua fala.

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Maria do Rosário havia exposto sua crítica à ditadura que, durante 21 anos, matou, torturou e oprimiu o povo brasileiro. “Homens e mulheres (…) se colocaram de joelhos diante dela [da ditadura] para servirem ao interesse da tortura, da morte, ao interesse de fazer o desaparecimento forçado, o sequestro”, afirmou a deputada.

Em seguida, o deputado expeliu seu veneno contra a luta pelos direitos humanos no Brasil, “Vamos aproveitar e falar um pouquinho sobre o Dia Internacional dos Direitos Humanos. No Brasil, é o dia internacional da vagabundagem. Os direitos humanos no Brasil só defendem bandidos, estupradores, marginais, sequestradores e até corruptos. O Dia Internacional dos Direitos Humanos no Brasil serve para isso. E isso está na boca do povo na rua”.

Bolsonaro continuou seu discurso com diversas ofensas ao governo do PT, criticou o projeto de entrada de iranianos no Brasil, protestou contra Mujica (o que é muito estranho, afinal, ele é presidente do Uruguai) entre outras acusações à base de gritos e palavras de efeito.

Ofensiva conservadora

Em contato com o Colunas Tortas, Lourdes Simões, Secretária de Mulheres do PT na região de Campinas e militante da Marcha Mundial das Mulheres, declara que figuras como Bolsonaro deixam explícita uma ofensiva conservadora no Congresso Nacional. “Bolsonaro faz mal a democracia, mas faz muito mais mal pra vida das mulheres […] Cada vez que um fato horroroso como este acontece e o Congresso não faz nada, reforça a impunidade e ao mesmo permite que esta cultura do estupro vá se naturalizando e reforçando o papel subalterno das mulheres como meras mercadorias que devem ser usadas, descartadas, abusadas e assassinadas”.

Com opinião parecida, Ticiana Albuquerque, também militante da Marcha e membro da Executiva Municipal de Fortaleza, afirma que “a declaração do deputado, às vésperas do dia em que festejamos a declaração universal dos direitos humanos é uma afronta à construção histórica dessa luta, mas, sobretudo, uma afirmação do machismo, de uma visão patriarcal, onde as mulheres são tratadas como coisa e os homens podem fazer o que querem e quando querem”.

São atos como esse que naturalizam o uso da violência sobre as mulheres e propõe implicitamente que algumas mulheres merecem ser estupradas, continua Ticiana em entrevista ao CT.

Lourdes Simões ainda assegura que é necessário uma reforma política urgente no país, para que seja possível uma política “sem interferência do capital privado que financia políticos, de Igrejas que financiam politicas que defendam sua ideias, de grupos financeiros que financiam politicas retrógrados”.

É necessário, segundo Ticiana Albuquerque, “uma reflexão sobre o congresso, sobre a representatividade parlamentar, sobre a sociedade, que elege gente assim! Fica mais nítido a necessidade de uma ampla reforma política, que modifique as regras do jogo”.

Para a militante de Fortaleza, outras formas de governabilidade  seriam a solução para evitar que tais representantes sejam eleitos e tenham alguma expressividade no cenário político, como a participação popular aliada a campanhas informativas. Com o Congresso mais conservador desde 1964, somente uma nova forma de governar poderá livrar os movimentos sociais das barreiras que as pautas progressistas enfrentarão nos próximos quatro anos.

Abaixo o discurso de Bolsonaro.

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