Bolsonaro diz que não estupraria Maria do Rosário porque ela é feia

Em entrevista ao Zero Hora, Bolsonaro afirma que não estupraria a representante do PT porque ela "não faz seu tipo" - "Ela é muito ruim, [...] muito feia. Não faz meu gênero. Jamais a estupraria".

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Jair Bolsonaro, para Maria do Rosário, segunda-feira: “Eu falei que não ia estuprar você porque você não merece”
Foto: Renato Araújo/ABr / ABR.

Mais uma vez, o deputado Jair Bolsonaro (PP) se declarou a respeito das agressões que praticou contra a deputada Maria do Rosário (PT-RS). Em entrevista ao Zero Hora, Bolsonaro afirma que não estupraria a representante do PT porque ela “não faz seu tipo” – “Ela é muito ruim, […] muito feia. Não faz meu gênero. Jamais a estupraria”.

Segundo o deputado, ele respondeu há uma provocação de 2003, feita por parte da deputada, que acusou Bolsonaro de ser responsável por crimes como esses.

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O deputado ainda se manifestou a respeito da luta por direitos das mulheres. De acordo com o parlamentar, as mulheres lutam por direitos iguais, no entanto, não podem reclamar por receberem menos, pois entram de licença maternidade e atrapalham a produtividade da empresa empregadora.

Veja a entrevista na íntegra abaixo:

Mas por que a deputada Maria do Rosário “não merece” ser estuprada?
Ela não merece porque ela é muito ruim, porque ela é muito feia, não faz meu gênero, jamais a estupraria. Eu não sou estuprador, mas, se fosse, não iria estuprar, porque não merece.

Mas o senhor acha que tem gente que “merece” ser estuprada?
O estuprador é um psicopata, ele escolhe suas vítimas. Não pega aleatoriamente. Não é a primeira mulher que passa ali numa área de penumbra que ele vai pegar e estuprar. Foi uma resposta, uma ironia naquele momento.

Em seus discursos e atitudes, o assunto que mais lhe parece caro é a segurança e a ordem. Porém, no discurso de ontem, o senhor trata com ironia um dos mais graves problemas de violência no Brasil. Segundo a Secretaria de Políticas para as Mulheres, uma mulher sofre violência a cada 12 segundos no país. O discurso do senhor não diminui a gravidade desse crime?
Você está usando a mesma linguagem de quando se fala em homofobia. O projeto 5398, de 2013, de minha autoria, aumenta a pena para estupro e propõe a castração química para estuprador. Aumento a pena para estupro de vulneráveis, até 14 anos, pedofilia.

Ok, mas o senhor entende que são duas coisas diferentes? O senhor fala de penalização para quem comete crimes, eu falo de uma cultura de diminuição da mulher. Não lhe parece que o senhor acaba fazendo com que o estupro se torne um assunto menos problemático do que ele de fato é?
Concordo, mas quem começou foi ela.

Mas isso importa?
Importa, sim. O que eu falei foi ironia.

Mas estupro é um assunto passível de ironia?
Lógico que é passível de ironia. Para cima dela… Ora, ela me chamou de estuprador, você queria que eu respondesse como? Ela, como mulher, pode diminuir a questão chamando qualquer um de estuprador? Ela que começou o negócio.

Ouça parte da resposta de Bolsonaro sobre ironia e estupro:

Mas não era o caso de tratar seriamente o assunto?
Mas como? Ela é uma desequilibrada!

Mas o senhor respondeu com equilíbrio naquele momento?
Ô, companheiro, a minha reação não foi maior que a ação dela. Eu sou homem e não tenho nenhum prazer de ser chamado de estuprador. Tenho filho, tenho família.

Deputado, esse discurso não trata a mulher como objeto e acaba perpetuando uma cultura de estupro?
Olha, vou te dizer uma coisa… Vou renunciar o meu mandato, porque já me acusaram de ser responsável por uma porrada de crimes no Brasil, por causa da minha conduta. E eu sou o cara que mais bate nessa questão de segurança. Se eu for começar a pensar em palavras politicamente corretas, vai ficar difícil de conversar. Não sou politicamente correto.

Ouça parte da declaração do deputado sobre ser politicamente correto:

O senhor é muito criticado pela forma agressiva com que trata seus opositores. O que acha dessas acusações?
Não é agressiva. Se eu dou uma martelada em você por trás, você vai levantar puto, xingar minha mãe. E eu vou falar que é você que está sendo agressivo. A esquerda é especialista nisso, se vitimizam, igualzinho ao período militar: invertem de réu para vítima. Todo mundo foi preso sob tortura, mas ninguém fala o que fez antes de ser preso. Ninguém fala nada. É a especialidade deles, e é o que fizeram agora.

Ouça a opinião do deputado sobre a esquerda brasileira:

O senhor está sendo processado pelo PT, e a deputada Maria do Rosário disse que vai processá-lo judicialmente.
Tudo bem. É um direito dela. Pode recorrer à vontade, representação, conselho de ética, corregedoria, Justiça. Não quero me defender, não. Eu estava na tribuna da Câmara debatendo um fato passado.

O senhor acha que a sua frase configura quebra de decoro?
Não. Eu recordei um fato passado, nada além disso.

Mas deputado, a quebra de decoro se configura por “tratar com desrespeito os colegas”. O senhor acha que não aconteceu isso?
Não, negativo. Tratei com verdade. A verdade tortura esses caras da esquerda. PT, PSOL, PC do B não podem ouvir a verdade.

O senhor, como deputado progressista, não tem o papel de trazer a discussão sobre os direitos das mulheres à tona?
Eu sou liberal. Defendo a propriedade privada. Se você tem um comércio que emprega 30 pessoas, eu não posso obrigá-lo a empregar 15 mulheres. A mulher luta muito por direitos iguais, legal, tudo bem. Mas eu tenho pena do empresário no Brasil, porque é uma desgraça você ser patrão no nosso país, com tantos direitos trabalhistas. Entre um homem e uma mulher jovem, o que o empresário pensa? “Poxa, essa mulher tá com aliança no dedo, daqui a pouco engravida, seis meses de licença-maternidade…” Bonito pra c…, pra c…! Quem que vai pagar a conta? O empregador. No final, ele abate no INSS, mas quebrou o ritmo de trabalho. Quando ela voltar, vai ter mais um mês de férias, ou seja, ela trabalhou cinco meses em um ano.

Mas qual seria a solução?
Por isso que o cara paga menos para a mulher! É muito fácil eu, que sou empregado, falar que é injusto, que tem que pagar salário igual. Só que o cara que está produzindo, com todos os encargos trabalhistas, perde produtividade. O produto dele vai ser posto mais caro na rua, ele vai ser quebrado pelo cara da esquina. Eu sou um liberal, se eu quero empregar você na minha empresa ganhando R$ 2 mil por mês e a Dona Maria ganhando R$ 1,5 mil, se a Dona Maria não quiser ganhar isso, que procure outro emprego! O patrão sou eu.

Ouça o que Bolsonaro tem a dizer sobre os direitos trabalhistas femininos:

Mas aí a mulher se ferra porque engravida?
É liberdade, pô. A mulher competente… Ou você quer dar cota para mulher? Eu não quero ser carrasco das mulheres, mas, pô…