Estar só

A metáfora de estar preso dentro de uma garrafa vai além do condicional. Quando você quer ficar lá... lá dentro preso da garrafa, você quer estar fechado para o mundo e para você próprio. A escolha é sua.

Por Sthefanny Gozze em colaboração com o Colunas Tortas.

gozzePara se ter um grande prazer dos sentidos, não necessariamente precisar apelar para o lado sexual. Estar em casa em dia de labuta é um prazer pessoal com prazo. Ainda mais se há encontro com amigos íntimos em casa. Era para ser uma despedida, mas que bom que nunca é de fato. É mais que um encontro marcado com pessoas queridas é estar em sintonia com aqueles que são semelhantes a você.

Obviamente que a psicologia moderna poderia explicar. Acontece que com a correria das práticas cotidianas, tirar um tempo para si ou para alguém, nem que seja uma breve visita, está se tornando algo raro. Ainda bem que me excluo dessa posição.

Quando se é possível, faça uma ligação, escreva um e-mail, mande um torpedo ou bata na porta. Ah! Se te apetece escrever cartas, faça! Juntamente com essas banalidades das experiências vicárias de cada ser, a pós-modernidade também auxilia no contato interpessoal e/ou pessoal.

Não entre em contato, somente em dias de aniversário ou em época natalina. Tire um tempo para si. Estar só é uma delícia que deve ser praticada. Quando você está com você mesmo, você aprende com mais profundidade a se conhecer. A solidão não é depreciativa, a não ser que ela seja constante… Mas, a solidão pode muito bem ser amiga. Com ela, você tem tempo para refletir e tomar as atitudes que julgar adequada.

A metáfora de estar preso dentro de uma garrafa vai além do condicional. Quando você quer ficar lá… lá dentro preso da garrafa, você quer estar fechado para o mundo e para você próprio. A escolha é sua. No entanto, a partir do momento que você abre a garrafa, exala os teus pensamentos, os teus desejos afloram e se encontra livre.

De acordo com Michel Foucault, a práxis humana é sempre uma potência, um poder fazer. O poder não há de ser entendido como mera dominação de uns sobre outros. O poder, em Foucault, não se define pela sua negatividade, pelo que reprime ou nega, mas também pela sua positividade, por seu caráter produtivo.

O agir dos seres humanos, escapam a todas as causalidades naturais explicativas e a todas as previsibilidades fechadas porque sua ação é uma potência, um poder inovador. O poder se manifesta como prática e não como essência. Por isso, deve ser analisado e compreendido a partir da sua história. O seu agir constitui seu ser. A pessoa é aquilo que vive, e constroi o modo de vida que desejar.

Se escolher ficar preso na garrafa, que seja por um tempo determinado. Pratique o exercício e tire suas próprias conclusões.

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