Livro da Semana: Ensaio Sobre a Cegueira – José Saramago

Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago, é um de seus livros mais críticos e aclamados. Entenda porque e baixe em PDF, para ler quando quiser. Clique aqui!

Por Lucas Fernando Gonçalves, em colaboração ao Colunas Tortas.

A obra de José Saramago, iniciada em 1947 com a publicação de Terra do Pecado, é hoje constituída por mais de quarenta livros, incluindo dois romances póstumos do autor (um deles incompleto). Aqui, apresentaremos Ensaio Sobre a Cegueira.

Nascido em Azinhaga, viveu em Lisboa boa parte de sua existência mas, em virtude da censura ao seu romance O evangelho segundo Jesus Cristo (1991), proibido pelo então subsecretário de Estado da Cultura (Sousa Lara) de concorrer ao Prêmio Literário Europeu, em 1992, o escritor transfere sua residência para Lanzarote, na Espanha, em 1993 e lá viveu até 2010, ano de sua morte.

Ensaio Sobre a Cegueira jose saramago
Capa da edição de 1995, Editorial Caminho.

Propostas temáticas e estéticas de Saramago estão imbricadas e se encontram continuamente dentro da produção literária do autor. A percepção do sujeito autor-reflexivo, por exemplo, coloca-nos diante das proposições da filosofia iluminista apresentadas por Immanuel Kant que diz: “Sapere aude! Tem a coragem de te servires do teu próprio entendimento! Eis a palavra de ordem do Iluminismo” (no texto “Resposta à pergunta: O que é o Iluminismo?”). A posição iluminista de Saramago a respeito da contemporaneidade era a da constatação da cegueira racional em que vivem muitos de nós humanos na própria sociedade dita globalizada. Numa entrevista para a Folha de São Paulo, o escritor exorta:

[…] o tema da cegueira tem muito mais que ver com uma convicção minha, que nós, no que toca a razão, estamos cegos. Uma vez que decidimos que somos os únicos seres racionais na face da Terra, o que foi uma decisão nossa, ninguém veio cá de fora, vindo de outro planeta ou de outro sistema, dizer que nós somos racionais. No meu entender, nós não usamos racionalmente a razão. É um pouco como se eu dissesse que nós somos cegos da razão. Essa evidência é que me levou, metaforicamente, a imaginar um tipo de cegueira, que no fundo, existe. Vou criar um mundo de cegos porque nós vivemos efetivamente num mundo de cegos. Nós estamos todos cegos. Cegos da razão. A razão não se comporta racionalmente, o que é uma forma de cegueira (SARAMAGO, 2010, As Palavras de Saramago – todas as citações retiradas deste livro).

Saramago apresentou, na entrevista, o sentido crítico de ter escrito O Ensaio Sobre a Cegueira, 1995, definindo a filosofia iluminista como sua posição pessoal na conversa com Clara Ferreira: “O meu racionalismo tem uma raiz volteireana. Esse ceticismo, essa ironia e essa espécie de compaixão pela loucura dos homens vêm daí”.

Saramago atuou como sujeito contemporâneo, em certa medida, realizando um inconformismo, isto é, sua condição de deslocamento implicou uma atitude de intervenção: “sou um homem doutro tempo e deste tempo”. No jornal português Extra, Saramago observa que seus escritos não têm pretensão de entretenimento do espetáculo, mas de despertar transformação na consciência dos seus leitores: “na minha opinião, ser escritor não é apenas escrever livros, é muito mais uma atitude perante a vida, uma exigência e uma intervenção”. Podemos imaginar o texto de Saramago, em seu aspecto crítico e estético, como uma partitura, cuja linguagem das notas escritas não há música. A realização da “melodia” literária é dependente da capacidade do leitor no quesito de interpretar os seus devidos símbolos. Ou seja, o texto saramaguiano se torna vivo em cada momento que um leitor apreende o compasso rítmico da sua estrutura narrativa.

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