Livro da semana: A liberdade / Utilitarismo – John Stuart Mill

Mill foi um dos precursores do direito à liberdade da mulher, filósofo da liberdade e do bem comum. Clique, leia a apresentação e baixe o livro!

Por Tiago André Vargas, em colaboração com o Colunas Tortas.

John Stuart Mill, (1806 – 1873), era filho de James, Mill, filósofo escocês partidário do liberalismo.

Considerado por muitos o maior filósofo inglês do século XIX, John Stuart Mill recebeu uma educação rígida do pai, James Mill, que o isolou de outras crianças garantindo um aprendizado estritamente racional.

Aos cinco anos, J. S. Mill sabia grego. Aos nove, álgebra e latim. Teve o intelecto direcionado metodicamente pelo genitor, este, impediu que o filho tivesse qualquer contato com a religião ou a metafísica, e, até mesmo a poesia só era permitida de maneira ponderada; o pai buscava no filho – um tanto criatura – um cérebro pragmático, e, obteve.

Entretanto, apesar do inculcado objetivismo, foi na mais humana das áreas filosóficas – a ética – que J. S. Mill afluiu o seu brilhante pensamento. Antes de entrar na filosofia do autor, acrescentamos uma curta passagem das suas experiências pessoais que podem colaborar na contextualização da obra: Apesar da enraizada conduta positivista, J. S. Mill abalou-se seriamente na idade dos vinte anos, sofrendo de graves crises nervosas. Conseguiu, por fim, uma singela melhora apoiando-se na literatura lírica, fato que corroborou no convencimento que o ser humano não é apenas intelecto.

Este foi um interessante rompante ideológico. Toda educação que J. S. Mill havia recebido garantia-lhe que a plenitude da felicidade estava em alcançar o maior e melhor conhecimento possível, todavia, em uma análise puramente intimista, digna de um rapaz que chega à vida erótica, percebe que a sua sabedoria cresce e aprimora, dia a dia, mas o mesmo não acontece com a percepção da sua felicidade. A situação agrava-se quando, pouco tempo depois, apaixona-se por uma mulher casada – cuja qual ele próprio irá se casar no futuro.

Sofrendo os preconceitos do seu tempo, tendo que conviver, ao que tudo indica, com a decepção que causou na família, a dor acaba por marcar sua filosofia, sempre inconformista, potencializando de maneira remida a vontade do indivíduo e a insubordinação diante os deveres que a convenção social, de uma maneira julgada por ele cruel, impõe. A saber: o olhar lúcido ao oprimido é um presente na obra de J. S. Mill, ele foi um dos precursores do direito à liberdade da mulher, pensamento que provavelmente foi fomentado pela história de amor repreendida que viveu, e também pelo acompanhamento dos ultrajes que a esposa recebeu da sociedade.

Das duas obras que sucintamente apresentaremos[1], a primeira se chama Liberdade. Nesta o autor discorre sobre a importância do pensamento livre e a necessidade da discussão, compreendendo-a como única possibilidade de progresso, seja do indivíduo ou da sociedade. Com muita categoria ele afirma que a discussão, a argumentação, o conflito das ideias, sempre serão positivos: pois estes, se corretos, estabelecem uma nova verdade, uma verdade melhor (já que toda verdade deve ser perpetuamente contestada, ela ganha um caráter de verdade temporal, jamais absoluta) e por fim, quando este argumento for falso, ganha-se da mesma maneira, porém agora na sustentação da verdade  previamente estabelecida, pois esta, ao refutar o argumento contrário, torna-se uma verdade melhor, mais forte. Nesta obra, ademais, J. S. Mill tratará da necessidade de impor limites à autoridade coletiva, pois acredita que os costumes, necessariamente do lado da maioria, são um enorme – talvez o maior – impedimento à genialidade, que, por precisar inovar para provar-se gênio, e, inevitavelmente, transgredir o status quo, será feita por poucos, historicamente perseguidos ou difamados pelos seus coetâneos.

“Se todos os homens menos um partilhassem a mesma opinião, e apenas uma única pessoa fosse de opinião contrária, a humanidade não teria mais legitimidade em silenciar esta única pessoa do que ela, se poder tivesse, em silenciar a humanidade”.

Na segunda obra, chamada Utilitarismo, o autor descreve com muita argúcia o ideal da filosofia utilitarista, um marco imprescindível para o pensamento ético. Um possível aforismo da teoria seria: Aproximar-se do prazer e afastar-se da dor. A palavra “prazer” pode causar um estranhamento ao leitor estando no território da ética, mas J. S. Mill conotava um sentimento muito mais aguçado para a concepção do prazer. Uma crítica inicial e veemente a sua teoria dizia que J. S. Mill queria comparar-nos a porcos, pois estes da mesma maneira também buscam o prazer e se afastam da dor, mas a retórica, genial, foi que os prazeres e as dores humanas não são as mesmas. Por exemplo: dizer a verdade brindará o homem com o prazer de ter a companhia da consciência leve. J. S. Mill levava o campo da dor e do prazer muito além do imediatismo sensorial, isso deu sustentação a sua teoria. Por fim, partindo da esfera individual para a social, J. S. Mill afirmará que as ações de um homem devem visar a maior soma total de felicidade possível:

“Um sacrifício que não aumenta e nem tende a aumentar a soma total de felicidade é um desperdício”

S. Mill, pelos contemporâneos, é considerado um filósofo que deu muito crédito ao homem. A base de curiosidade, reflexão moral e até mesmo comunicação necessária, principalmente na sua maior obra, Utilitarismo, exigem um aprimoramento vertical da classe humana em todas as suas ações como indivíduo sensorial e agente de convívio social, para que, possivelmente, ela se tornasse uma prática. De qualquer maneira, a impraticabilidade não ofusca em nada o brilho do seu pensamento e as reflexões que eles produzem.

Para baixar O Utilitarismo, clique aqui. Para baixar Da Liberdade, clique aqui.

Referências

[1] ↑ MILL, John Stuart. A Liberdade Utilitarismo. São Paulo: Martins Fontes, 2000. Tradução de ‘Eunice Ostrensky.

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