Só estou aqui para beber

Escuta essa música do Raul “Loteria da Babilônia”, a gente não dá conta de entender o mundo…

Prefiro pensar que o mundo não faz sentido, soa melhor para meu entendimento… Pelo menos, desse jeito funciona.

Era uma madrugada fresca quando conheci o Peter. Fui sozinha ao bar, não que seja de costume, mas estava com uma vontade louca de sair e não tinha companhia. E, já que isso nunca foi problema para mim, fui…

E foi ótimo! Pessoas que trabalham lá há um tempo me reconheceram e eu fiquei bem contente por tal merecimento. Também conheci várias pessoas interessantes. Dois meninos que estavam jogando sinuca me adicionaram em sua agenda no smartphone, no outro dia, lá pela hora do café da tarde, recebi o seguinte torpedo: Vou te procurar pra gente rir mais!

Achei sensacional… Estava de ressaca e não recordo com riqueza de detalhes do que exatamente falei com eles. Bem, pelo teor da mensagem, devo ter falado muita merda. No entanto, esse foi somente um caso e não irei aqui tratar de todos, até porque me falharia à memória.

Peguei uma cerveja no bar e fui assistir ao show mais de perto. Ela desce bem gostosa e rápida. Perco as contas de quantas vezes faço o mesmo trajeto: bar, palco, banheiro, não necessariamente nessa ordem.

Alguns carinhas chegam a mim, claro, sem sucesso. Não estou aqui para ficar com alguém, vim para beber – afirmo. Alguns vão embora, outros entendem e… A amizade perdura! Ah, sim!

O menino que trabalha no som, de vez em quando me vê e dar umas risadas… Imagino como tudo deve estar tão engraçado já que ele está de cara e não pode beber e trabalhar, que pena. (Ele é até bonitinho – penso)…

Tô rindo à toa sinto minhas percepções mais lentas, as luzes coloridas que vêm do palco ganham vida. Olha quem está lá! O moço que conheci na entrada, não sabia que ele era o guitarrista dessa banda. Parece que ele saca que agora que o percebi ali e ele dá um aceno com a mão.

Joney diz: Você conhece todo mundo!

Eu: Você acha mesmo? Hahaha

Os temas a serem discutidos sobre o universo da música vêm de todos os lados… Falamos do soul ao rock clássico. To numa larica meninos.

– O bar está fechado e agora?

– Relaxa Jane, há o tio do cachorro-quente lá fora nos esperando…

– Não! Amo hotdog!

Devoramos o cachorro como se fosse a última refeição da terra, deu até uma preguiça e não quero sair do banquinho agora. Os meninos se despedem e se vão. Lá vem o menino do som. Sem muitas delongas já o pergunto quem é, e se ele é novo no bar porque até então, nunca havia visto ali…

Se chama Peter, diz que foi indicado por amigos e de vez em quando pega o trampo. Ele me pergunta se curti o show…

EU: – Mas é claro! Não poderia dizer o contrário. Conversamos por mais meia hora ou mais, o convido para tomar café.Ele aceita. Pegamos o taxi, bora pra casa.

Que bom que ele se sente bem aqui, fala que minha casa parece com a dele. Estranha coincidência? Nu,to com um soninho…vamos dormir, depois eu faço o café pra gente.

Peter: Okay.

Ele põe uma música relaxante, só me lembro de que tiro rapidamente as roupas e durmo, inclusive devo ter babado o travesseiro. Estava realmente muito cansada. Quem disse que se divertir não cansa?

(…)

No dia seguinte, mandei ele tomar banho e fui preparar o rango. Que café da manhã farto. Papai do céu abençoa nossa comida!

Pão integral, pão de sal, queijos, bananas, iorgutes, café com leite e bolo…

– Hum delícia hein – afirma Peter.

Não tenho pressa alguma para comer, ficamos na mesa por mais de duas horas. Ele tem parentes que vivem perto de mim. Ele vai aproveitar e fazer uma visita. Em fim, é hora de partir…

Não gosto de despedidas, sempre me parece muito difícil.

Mantemos o contato e sempre nos falamos pela net.

Ontem, ele disse o seguinte: – Preciso cortar meu cabelo.

EU: Eu mudei o me e nem tenho fotografia ainda. Acho que já tem um mês.

Peter: Faz quase um mês que te conheci. Foi antes ou depois?

EU: Depois, acho que na outra semana.

Peter: Então não tem um mês! Nos conhecemos no dia 04.

EU: Parece que já faz tanto tempo…

Peter: Minto. Foi dia 03, no dia 04 a gente já tava tão íntimo que você queria me drogar.

EU: Mas, você é drogado. Toma medicações tarja preta e fuma cigarro. Larga isso ow…Há coisas bem melhores.

Peter: Escuta essa música do Raul “Loteria da Babilônia”, a gente não dá conta de entender o mundo…

EU: Raul de novo? To enjoada dele. Prometo que vou ouvir essa!

O acompanho até a porta, um beijinho e chau chau.

Retorno para o quarto, tiro da bolsa um bombom Sonho de Valsa que Peter me deu lá no cachorro-quente e encontro a cortesia que o menino da banda me deu.

Droga! Deixei de economizar 20 pratas!

3 Comments

  1. “Devoramos o cachorro como se fosse a última refeição da terra” -Adoro esse tipo de escrita.

    Ah! Saudade da noite mineira lendo esse post!!!

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