Arte Filosófica: Uma admiração em unir arte pura com efeitos da razão

Retrato de Charles Baudelaire, por Gustave Courbet, 1848-1849, óleo sobre tela.
Retrato de Charles Baudelaire, por Gustave Courbet, 1848-1849, óleo sobre tela.

O livro intitulado “Escritos sobre Arte” do francês Charles Baudelaire leva-nos a quatro direções de pensamento: o primeiro capítulo “Essência do riso e, de modo geral, do cômico nas artes plásticas”, o segundo “Alguns caricaturistas estrangeiros: Goya, Pinelli, Brueghel, Hogarth e Cruikshank; o terceiro aborda a “Arte Filosófica” e o último “A obra e a vida de Èugene Delacroix”.

Pois bem, pelo material publicado no século XIX, o terceiro capítulo me chamou a atenção justamente pelo título. Baudelaire, um dos estudiosos sobre arte francesa, pioneiro sobre o movimento do simbolismo e claro boêmio, afirmou que toda boa escultura, pintura e música sugerem sentimentos e devaneios que ela quer sugerir. Mas, o raciocínio, a dedução, pertencem ao livro.

Nessa lógica, fica claro que para se ter uma arte filosófica é necessário uma bicondicional: a arte pura em essência casada com uma linha tênue de conexão de palavras.

Arte filosófica como suposição do absurdo para legitimar a sua própria razão de existir, ou seja, a inteligência do povo em relação às belas-artes. De acordo com o autor, a Alemanha foi o país que mais calhou no erro da arte filosófica. Quanto mais a arte quisesse ser filosoficamente transparente, mais ela se degradaria e remontaria ao hieróglifo infantil; em contra corrente, quanto mais a arte se destacaria do saber, mais ela atenderia a beleza pura e desinteressada. Como exemplo, Baudelaire cita um pintor alemão pouco conhecido, no entanto, era o mais dotado da arte pura, Alfred Réthel.

“Todo espírito profundamente sensível e bem dotado para as artes (não deve confundir a sensibilidade da imaginação com a do coração) sentirá como eu que toda arte deve se bastar a si mesma e ao mesmo tempo permanecer nos limites providenciais; entretanto, o homem conserva esse privilégio de sempre poder desenvolver grandes talentos num gênero falso ou violando a constituição natural da arte”.

Por mais que Baudelaire tenha se dedicado às criticas, ele mesmo acreditava que a arte filosófica era uma monstruosidade em que era possível revelar belos talentos.

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