Zygmunt Bauman é personagem principal em animação sobre refugiados do Oriente Médio

"Antes da guerra, podíamos sair com a família para qualquer lugar a qualquer momento. Agora, tememos tudo. Bombas foram lançadas próximo a escola do meu filho. Não podemos viver assim. Isso é o que nos faz fugir"

Zygmunt Bauman é considerado um dos maiores pensadores vivos do mundo. Nesta animação produzida pela TV Al Jazeera, o sociólogo polonês narra o drama dos refugiados do Oriente Médio que se veem longe do lar que amavam e tinham orgulho, destruído pelos conflitos locais, e agora se caracterizam como “precariado”: pessoas que vivem marcadas pelo medo líquido (ansiedade, angústia e vulnerabilidade). Veja a tradução no fim do artigo.

Esses refugiados, explica Bauman, não são acostumados com a miséria, já que tinham moradia, emprego e vida comum antes dos conflitos do Oriente Médio tomarem conta de seus lares. Quando chegam na Europa, são hostilizados ou proibidos de circular livremente pelos países que os recebem.

Atualmente, a Grécia tem tomado ações para impedir o fluxo de imigrante na fronteira com a Macedônia, os mantendo ao relento atrás de cercas de arame farpado. Os refugiados são engenheiros, estudantes, pessoas com cotidiano normal, “Antes, nossa vida era boa. Com a guerra, não tínhamos emprego, comida ou moradia. Metade de Homs foi destruída. Agora temos medo do exército, do governo, dos rebeldes, do EI. Se você fica, tem medo de tudo”, relata o sírio Ahmad, de 37 anos, que fugiu de seu país para buscar proteção na Europa e tenta cumprir sua jornada até Alemanha ou Holanda, para depois trazer sua família.

“Antes da guerra, podíamos sair com a família para qualquer lugar a qualquer momento. Agora, tememos tudo. Bombas foram lançadas próximo a escola do meu filho. Não podemos viver assim. Isso é o que nos faz fugir”, relata.

Tradução

Retirada do site Fronteiras do Pensamento.

Estas pessoas que estão vindo agora são refugiados que não são famintos, sem pão ou água. São pessoas que, ontem, tinham orgulho de seus lares, de suas posições na sociedade, que, frequentemente, tinham um alto grau de educação e assim por diante. Mas, agora eles são refugiados. E eles vêm para cá. Quem eles encontram aqui? O precariado. O precariado vive na ansiedade. No medo. Nós temos pesadelos. Tenho uma ótima posição social e quero mantê-la.

“Precariado” vem da palavra francesa précarité que, em livre tradução, significa andar em areias movediças. Agora, surgem estas pessoas da Síria e da Líbia. Elas trazem esta ameaça de países distantes para nossas casas. De repente, eles aparecem ao nosso lado. Não conseguimos omitir suas presenças.

Os refugiados simbolizam, personificam nossos medos. Ontem, eram pessoas poderosas em seus países. Felizes. Como nós somos aqui, hoje. Mas, veja o que aconteceu hoje. Eles perderam suas casas, perderam seus trabalhos.

O choque está apenas começando. Não existem atalhos para o problema. Não existem soluções rápidas. Então, precisamos nos preparar para um tempo muito difícil que está chegando. Esta onda de imigração que aconteceu ano passado não foi a última. Há mais e mais pessoas esperando. Precisamos aceitar que esta é a situação. Vamos nos unir e encontrar uma solução.

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