O que pode um corpo? Deleuze e Espinosa com entrada franca em SP

Gilles Deleuze
Deleuze lê Espinosa como um autor materialista.

Gilles Deleuze, criativo filósofo francês do século XXI, tem uma leitura própria do conceito de corpo na filosofia de Bento de Espinosa, já que o considera uma força de composição que se funda na relação constante com outros corpos, afirma Fernando Bonadia, convidado do Colunas Tortas para explicar como ambos os autores se relacionam neste tema.

O encontro acontecerá no dia 11 de fevereiro, na livraria Tapera Taperá, localizada na Galeria Metrópole, perto do metrô República, cidade de São Paulo. Mais informações no fim da matéria.

“A filosofia de Espinosa responde, em linguagem metafísica, que o corpo é o modo do atributo extensão, ou ainda, uma coisa particular, uma afecção. Como a abordagem metafísica parece mais ocultar o corpo do que revelá-lo, podemos dizer também, mas desta vez em registro físico, que o corpo é um indivíduo sempre composto de outros indivíduos, sejam eles de natureza semelhante ou diversa”, diz Bonadia.

“Tanto para Espinosa quanto para Deleuze, um corpo delimita sempre certa multidão de corpos em relação de produção”.

Fernando Bonadia é doutor pela Universidade de São Paulo e faz pós-doutorado em filosofia pela mesma instituição. Sua tese lida com a problemática em torno da relação entre parte e todo da natureza (que acompanha toda a obra de Espinosa) e a solução imanente proposta pelo filósofo, a “ideia de comunidade na cadeia dedutiva da Ética“.

Conceitos como democracia, desejo ou multidão, recebem influência direta de Espinosa, quando mediado por autores como a filósofa Marilena Chauí, Deleuze ou até mesmo Antonio Negri e possibilitam analisar a sociedade contemporânea visando outros tipos de soluções ainda não aplicadas. Daí da filosofia de Espinosa e suas influências tomarem corpo “sobretudo quando excogitamos novas formas de governabilidade democrática global que superam a falsa necessidade da representação política e da mediação partidária”, diz Bonadia.

Por sua vez, Gilles Deleuze é o responsável por reconstruir a filosofia sob uma nova gramática, sob outra fundação. Fernando conta que uma de suas façanhas criativas foi utilizar Espinosa como autor-chave para pensar “de maneira inovadora a passagem da ontologia para a prática, da contemplação para a ação e, enfim, da metafísica para política”.

Ainda na visão de Deleuze, Espinosa colocaria o corpo como um modelo da filosofia, já que este se negou a postular sua sujeição à mente, como as principais linhas filosóficas no Ocidente. Ao mesmo tempo, ainda é preciso entender como liberar o corpo da prisão histórica abaixo do pensamento.

Segundo Fernando Bonadia, “a apresentação pretende evidenciar a forma pela qual Deleuze encontrou em Espinosa valiosos elementos para conceber o processo de libertação do corpo. Por isso, a pergunta básica é: como um corpo habituado à mortificação pode se desmortificar, libertar-se do sofrimento, descobrir a alegria e lançar-se na imanência?”.

Serviço

 

O quê: Encontro “Desmortificar o corpo: Deleuze leitor de Espinosa”, apresentado pelo professor Fernando Bonadia e organizado pelo Colunas Tortas (Clique aqui para ver o evento no Facebook).

Onde: Livraria Tapera Taperá, Av. São Luiz, 187, 2º andar, loja 29 – Galeria Metrópole, próximo ao metrô República da Linha Vermelha, em São Paulo.

Quando: Dia 11/02, das 10:30hs às 12:30hs.

Entrada Franca.

 

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