Bauman na sala de aula – CTSA#1

Da série “Colunas Tortas na Sala de Aula”.

Imagem do interior do prédio do Cursinho Popular da UNESP - Franca.
Cursinho Popular da UNESP – Franca. Foto: Facebook/fanpage oficial do cursinho.

Nas últimas três décadas, Zygmunt Bauman (1925 – 2017) se firmou como um dos pensadores mais importantes da atualidade. Após sua aposentadoria do departamento de sociologia da Universidade de Leeds, o sociólogo desenvolveu uma maneira particular de interpretar a contemporaneidade, baseada na analogia entre o líquido e o sólido.

Sua importância em sala de aula vem aumentando em projetos pedagógicos críticos, como a disciplina de sociologia do Cursinho Popular da UNESP de Franca, no interior de São Paulo, com a professora Lara Dalla Vecchia, que conta como é utilizar o pensamento de Bauman e o suporte dos materiais do Colunas Tortas.

A cidade de Franca sedia o campus da UNESP com a Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, oferecendo os cursos de Direito, História, Serviço Social e Relações Internacionais, e a opção de estudo preparatório para estudantes de baixa renda desde 1997 é o Cursinho Popular da UNESP Franca.

São 240 vagas e cerca de 70 funcionários que vão desde professores até corretores de redação e monitores. “O Cursinho Popular da UNESP Franca é um cursinho pré-vestibular gratuito, que realiza um trabalho voluntário junto à comunidade de Franca e região. Faz parte das extensões da Universidade, que, por sua vez, é formadora do que chamamos de tripé universitário (ensino, pesquisa e extensão). Esses projetos são conhecidos por serem iniciativa conjunta entre alunos, professores e coordenadores”, Explica Lara Dalla Vecchia, graduanda em Serviço Social para UNESP.

“A cada dia, buscamos construir ainda mais uma identidade para o projeto, sendo que, atualmente, demos início a um grupo de estudos sobre o Método Paulo Freire, além de, dentro dos nosso limites, tentarmos manter uma relação horizontal o máximo possível, ou seja, contrária à hierarquização”, termina.

Para Lara, o papel da sociologia no vestibular está interligado às necessidades de outras esferas da avaliação em pensar em conjunto com esta ciência, por exemplo, na prova de redação. “Se lembrarmos que o texto dissertativo-argumentativo exigido pela maioria dos vestibulares deveria ser a transcrição e defesa por parte do aluno de sua visão de mundo, temos pressuposto que, então, a redação (assim como quase todos os conteúdos abordados dentro das humanas) é o reflexo das oportunidades que o vestibulando teve até prestar a prova e de suas reflexões acerca disso”, diz a professora.

Aqui, a interpretação social de Bauman passa ter seu valor instrumental para o vestibulando. O pensador polonês entende que a sociedade atual, globalizada, é uma continuação modificada da modernidade, chamada por ele de modernidade líquida, espaço social em que as relações são cada vez mais frágeis, “encaixa com perfeição em vários temas de redação”, explica Lara.

Sua leitura é essencial para a formação de pessoas críticas, principalmente no ensino médio.

Em suas aulas, Lara utilizou a resenha de Medo Líquido, do Colunas Tortas, por sua leveza e fluidez para aulas com vestibulandos. A professora explica que o material do Colunas Tortas utilizado “aborda os pontos principais sobre o tema”, sem fugir de sua proposta inicial ou perder o foco, já que as aulas de cursinho pré-vestibular utilizam como guia os conteúdos exigidos para a prova.

“Abordei o tema do Medo Líquido especificamente porque casava, ao meu ver, muito bem com a Sociedade do Espetáculo, de Guy Debord – o medo da morte e a relação com programas de TV que expressam exatamente a sociedade descrita por Guy, como o Big Brother Brasil, por exemplo. Mas penso que outros temas podem ser facilmente abordados em sala de aula, porque não fogem da realidade vivida por nós diariamente”.

O próximo passo é entender como utilizar mais autores acadêmicos em sala de aula, como aliar a didática e nome grandes como Michel Foucault, Pierre Bourdieu, Jacques Derrida ou Jean-Paul Sartre.

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