O porquê de votar em Dilma

O governo que aí está, apesar dos tropeços e ao contrário do que prega o senso comum, foi mais competente economicamente, não precisou apelar ao FMI para se salvar e ao aliar a distribuição de renda ao desenvolvimento econômico, ironicamente melhor compreendeu o capitalismo e o cenário internacional do que o governo anterior. E isso se deu justamente por não se desconectar da mencionada realidade material do povo brasileiro. Não governou sozinho como muitos parecem acreditar e se muitas vezes tirou leite de pedra com um legislativo majoritariamente conservador, em outros momentos me decepcionou bastante, não nego. Em 2014 elegemos um congresso ainda mais conservador que os anteriores e pronto pra desmantelar um estado de bem-estar social que ainda está à léguas de distância do ideal mas que, paradoxalmente, nunca evoluiu tanto como nos últimos 12 anos. Muitos falam em alternância democrática, mas essa alternância não pode significar a interrupção de um projeto de nação.

Primeiramente, é bom esclarecer que voto em um projeto político no qual Dilma cumpre um papel. Não voto em uma figura personificada, em heróis salvadores da pátria e muito menos voto pra “salvar o Brasil” de vilões encarnados como se nosso modelo político a figura do presidente possuísse poderes para fazer o que quer e na hora que desejar. Nos tempos atuais, pelo menos na esfera política, não se constrói absolutamente nada sozinho. Graças a Deus.

“O Brasil é muito impopular no Brasil” afirmou um certo jornalista e notório conservador que já percebia em seu tempo uma característica brasileira: o nosso complexo de vira lata. A história diariamente é mutilada e distorcida para que caiba de forma conveniente em nossos sonhos utópicos, para que nossos atos e omissões sejam justificados. Em seus trabalhos, historiadores(e aqui me incluo) quase sempre revelam mais de si mesmos do que do período histórico que analisam. Quando apontamos qualidades e defeitos de outros, revelamos nossas próprias contradições. Se a História me ensinou alguma coisa sobre eleições, foi a importância de votar em projetos políticos e não em personalidades. E o mais importante: me ensinou a não votar por histeria coletiva contra determinado partido como AMBOS OS LADOS tem pregado nesse segundo turno.

Portanto, voto no projeto político do PT pois o considero superior ao do PSDB. Não voto por tabelas que comparam valores brutos de períodos diferentes, ignorando o contexto no qual esses governos estavam inseridos. Nunca vi tamanha ignorância ou má fé. Não voto por escândalos de corrupção que pipocam de forma canalha em tempos de eleição (como no caso do aeroporto na terra do tio de Aécio, que pra mim é cheio de névoas e inverdades, estando longe de ser concluído, se é que será), falso moralismo (não dou a mínima pro fato do cara SUPOSTAMENTE ser usuário de cocaína), nem mesmo purismo ideológico e partidário (do tipo que reserva a um partido, no caso o PT, o monopólio da competência política, como se este governasse sozinho e a continuidade e ampliação das pautas progressistas dependessem exclusivamente desse último bastião político, injustiçado pela mídia golpista), mas simplesmente uma questão de análise de dados e fatos: acredito no projeto que está aí. Que mesmo com todas as suas contradições, considero infinitamente superior ao do PSDB.

Mais humanitário, mais focado na realidade material das pessoas do que nos números frios que a favor do “desenvolvimento a qualquer custo”(de quem e pra quem?), ceifam vidas como se fossem estatísticas. “Não somos números, somos gente!” já nos alertava um certo geógrafo brasileiro. Foi exceção em uma sociedade cujo acesso de negros à Academia sempre foi raridade. Felizmente isso não é mais realidade e nunca se viu tantos negros nas universidades públicas ou privadas brasileiras como agora. Estamos longe do ideal? Estamos. Interromper o processo? Não é solução mas um saudosismo irracional de um passado vexatório. Flexibilização de leis trabalhistas? Pra mim um eufemismo pra priorizar o interesse de empresário em detrimento do trabalhador e não há “dinamização da economia” que vá me convencer do contrário.

O governo que aí está, apesar dos tropeços e ao contrário do que prega o senso comum, foi mais competente economicamente, não precisou apelar ao FMI para se salvar e ao aliar a distribuição de renda ao desenvolvimento econômico, ironicamente melhor compreendeu o capitalismo e o cenário internacional do que o governo anterior. E isso se deu justamente por não se desconectar da mencionada realidade material do povo brasileiro. Não governou sozinho como muitos parecem acreditar e se muitas vezes tirou leite de pedra com um legislativo majoritariamente conservador, em outros momentos me decepcionou bastante, não nego.

Em 2014 elegemos um congresso ainda mais conservador que os anteriores e pronto pra desmantelar um estado de bem-estar social que ainda está à léguas de distância do ideal mas que, paradoxalmente, nunca evoluiu tanto como nos últimos 12 anos. Muitos falam em alternância democrática, mas essa alternância não pode significar a interrupção de um projeto de nação. A Europa e Estados Unidos estão aí como exemplos. Em qual lugar você escolheria viver?

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O gráfico da FAO(Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) mostra que o Brasil possui menos de 5% de sua população no mapa da fome. Percebe-se então que isso não significa que sejam inexistentes os famintos no Brasil ou que não há mais miseráveis no país. Segundo a própria ONU, ainda existem aproximadamente 2 milhões de pessoas que passam fome no Brasil, portanto, ainda há muito o que realizar mas retroceder ou desqualificar algo que levou cinco séculos para ser conquistado é, no mínimo, cegueira histórica. Olhar o mundo de nossa zona de conforto pode ser conveniente mas há um mundo concreto e real ao nosso redor que não devemos ignorar. Não podemos.

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