Uso racional da ideologia irracional no fascismo – Michael Parenti

A aparente irracionalidade da ideologia fascista encobre um uso racional e instrumental de seus desígnios, diz Michael Parenti. O culto à personalidade, a hostilidade à paz e a ênfase a valores monísticos são bases para a análise do uso racional e estratégico de visões irracionais de mundo. Junto a isso, seus desdobramentos envolvem o uso do patriarcado como base da sociedade fascista, que fornece papeis fixos aos homens e mulheres na condução da família e na obrigação de mantê-la viva, sob o interesse da reprodução da sociedade fascista.

Da série “Fascismo”.

Michael Parenti (1933 - ).
Michael Parenti (1933 – ).

O fascismo é constituído de uma ideologia pragmática radical que, por suas características, leva, na prática, o relativismo ao máximo. Um pico de irracionalidade. Entretanto, não é possível garantir foco e disciplina política sem um ponto de ancoragem. O filósofo Leandro Konder afirma que, sob o comando de Mussolini, a nação se tornou o mito fascista:

O mito é uma fé, é uma paixão. Não é preciso que seja uma realidade […] Mussolini fez dela [da nação] um mito, atribuindo-lhe uma unidade fictícia, idealizada […] explorada por outras nações.[1]

Mais tarde, Hitler também formou sua ideologia com uma referência sólida da nação. Se Mussolini teve em Enrico Corradini sua referência para formar uma unidade nacional, através da narrativa da “Itália proletária”, Hitler foi amparado por Arthur Moeller van den Bruck, apontando a proletarização da Alemanha pelos países vitoriosos da Primeira Guerra Mundial. Temos, portanto, duas ancoragens para atenuar o caráter irracional da ideologia fascista, sempre flexível em suas expressões e em seus objetivos.

O fascismo e seu conceito – Fascismo

O presente artigo visa identificar um conceito geral de fascismo partindo das análise do filósofo Leandro Konder e do historiador Robert Paxton. O primeiro analisa o movimento político como uma espécie da direita, enquanto o segundo afirma que o fascismo é um tipo diferente no espectro político tradicional. Entretanto, ambos assinalam a dependência do fascismo com o financiamento do capital financeiro. O fascismo, por fim, é classificado como uma força social com característica social-conservadora disfarçada numa roupagem de movimento modernizador, guiado por uma ideologia de pragmatismo radical e suportado por um mito nacionalista.

As renegações da política: arquipolítica, parapolítica, metapolítica, ultrapolítica e pós-política

Os conceitos de arquipolítica, parapolítica, metapolítica, ultrapolítica e pós-política são explicados a partir de seus usos na discussão política atual. Enquanto a aquipolítica explica comunitarismos políticos, a parapolítica é um fluxo de concentração da política na democracia representativa, já a metapolítica não acredita na possibilidade de uma política eficiente a partir da representatividade popular. A ultrapolítica é a adequação da política em moldes militares e a pós-política considera que os conflitos estruturais foram superados.

Os usos do fascismo como discurso civilizatório

O fascismo é um conceito utilizado pela esquerda e pela direita. No presente artigo, a Revista Fórum e O Antagonista são analisados em seus usos do termo fascismo. É possível formar uma hipótese através da apropriação do conceito feito pelos colunistas e jornalistas da Revista Fórum e pelo texto escolhido d’O Antagonista de que o fascismo está presente num discurso maior de cunho civilizacional, que corta o saber político, mas acumula enunciados da esfera moral e da filosofia.

A proibição do incesto em Lévi-Strauss e Freud

Lévi-Strauss se propôs a estudar a estrutura enquanto base inconsciente da sociedade, Freud estudou o inconsciente na psique humana. O antropólogo, de certa forma, considerava que seu trabalho é parecido com o do psicanalista, mas aplicado ao coletivo, não ao individual. A proibição do incesto, regra universal que é foco d’As Estruturas Elementares do Parentesco, é o toque da cultura na natureza, ao mesmo em que é reprimida pelo inconsciente. Ela é pressionada externamente e internamente.

Relações sintagmáticas e relações associativas – Saussure e a AD

As relações sintagmáticas e associativas são analisadas no artigo presente. Enquanto as primeiras atuam na mesma linha de extensão, as segundas acontecem de maneira perpendicular, com a associação de termos que não precisam fazer sentido no sintagma analisado. A consequência disso é a possibilidade de se definir dois tipos de arbitrários na língua: o arbitrário absoluto e o relativo.

Há inconsciente em Saussure? – Michel Arrivé

O artigo presente discute os usos do conceito de inconsciente propostos por Saussure em seu Curso de Linguística Geral e em seus manuscritos. Percebe-se o uso da noção de inconsciente que seria análoga ao inconsciente descritivo de Freud e, num só trecho, do inconsciente tópico. Por fim, o uso de Saussure feito por Lacan em sua teoria do inconsciente revela uma transformação drástica do uso recorrente e do uso tópico feito pelo genebrino.