A origem do racismo na Europa – Hannah Arendt

Este ensaio investiga a gênese do racismo em Hannah Arendt, localizando as raízes da ideologia nazista na aristocracia francesa do século XVIII. O objetivo é analisar como a distinção de castas de Boulainvilliers fraturou a unidade nacional ao alegar uma ascendência germânica superior para a nobreza, reduzindo o povo francês à condição de súdito conquistado. Por meio de uma revisão teórica de As Origens do Totalitarismo, observa-se a transição do "direito de conquista" para um determinismo a-histórico. Conclui-se que a transformação dessa narrativa em doutrina racial por Gobineau substituiu a política pela biologia, estabelecendo a "internacional da aristocracia" como precursora da ideologia supranacional. Assim, o racismo emerge não como fenômeno biológico original, mas como recurso de classe para sustentar hierarquias de poder.

Hannah Arendt busca encontrar a gênese do racismo institucionalizado pelo nacional-socialismo, o racismo enquanto ideologia, no seio da Europa. Sua questão é relativa à raça enquanto divisor de grupos sociais e produtor de hierarquias que, depois de sua popularização e organização, passou a ter influência direta como política de Estado.

O objetivo deste artigo é expor a divisão inicial encontrada pela autora a partir de seu livro Origens do Totalitarismo (2013).

Por que entendemos que a obra é um reflexo da consciência do artista?

O texto analisa a recepção da obra de arte sob a ótica de Bourdieu e Foucault, defendendo que o sentido de uma produção não emana apenas do autor, mas do olhar socialmente construído do receptor. O autor argumenta que existe uma clivagem de classe na percepção estética: enquanto o campo artístico legítimo valoriza a forma e a autonomia da obra, o público com menor capital cultural tende a aplicar critérios da “ética de vida”, reduzindo a criação a uma função moral ou biográfica. Essa dinâmica transforma a “posição-autor” no centro do julgamento, revelando como a interpretação da arte é moldada por habitus distintos e pela segregação social, que define quem possui os critérios para descolar o objeto artístico da moralidade de quem o criou.

Big Brother é o alívio político de uma população despolitizada – V. Magnaroli

O Big Brother é um programa de televisão. Um jogo de entretenimento. É legítima sua existência na nossa realidade e acompanhá-lo não torna um sujeito menos inteligente ou menos crítico. Como qualquer programa de entretenimento, ele abre um espaço para abaixarmos a guarda. Não há nada de errado nisso e não há nada de exceção…

O outro real e o outro imaginado

O presente texto analisa a alteridade como uma condição ontológica manifesta na imprevisibilidade do contato, argumentando que o “outro”, para o eu, constitui-se a partir da vulnerabilidade sentida. Discute-se como a racionalidade neoliberal e o saber científico-disciplinar operam na neutralização dessa alteridade, convertendo sujeitos em “objetos humanos instáveis” e previsíveis, o que anula o potencial transformador da interação. Através da recuperação do conceito de “cuidado de si” em Michel Foucault, o trabalho propõe uma ética da autorreflexão material — exemplificada pela escrita de si — como forma de resistência à homogeneização das normas e manuais de conduta. Conclui-se que a interação casual e a aceitação da imprevisibilidade são fundamentais para uma constituição do eu que transcenda a submissão, permitindo uma inserção autêntica e singular no campo social e político.

A universidade pública é o alvo das fantasias pornográficas reacionárias

Se a fantasia pornográfica reacionária mostra um mundo de faz de conta que funciona como ameaça eterna à vida cristã reprimida, talvez seja no interior dessa fantasia que as gretas mostram sua utilidade. Talvez seja justamente a partir dessa fantasia que a fraqueza reacionária se mostra. 

Ideologia e racismo – Hannah Arendt

O fenômeno psicológico é o motor da transformação do corpo político das nações europeias: é a partir da sedução do racismo que a população europeia se viu diante de uma abertura para a criação de políticas racistas, ultrapassando o próprio alcance dos efeitos políticos da ideologia de classes.

A armadilha de ser multitasking – Byung-Chul Han

A demora é aniquilada na sociedade da positividade, a sociedade da peformance, pois o princípio da produtividade é internalizado pelo sujeito de tal maneira que sua própria subjetividade exerce o papel que um dia foi do fiscal, do gerente, do supervisor. A supervisão de si enquanto atividade íntima é produtora do sujeito inimigo do tédio, inimigo, assim, da filosofia.

Racismo e televisão no contexto brasileiro – Adilson Moreira

As construções de figuras sociais racistas presentes na formação discursiva racista operante no interior da estratégia de poder racial brasileira interligam diversas noções que associam raça, estética e moralidade. A figura do negro é frequente reproduzida como aquela que está sempre fora de lugar, que se situa num lugar alugado, num lugar roubado, num lugar falso e, por isso, pode ser o alvo do escárnio ou pode ser inserida como coadjuvante.