Este ensaio investiga a gênese do racismo em Hannah Arendt, localizando as raízes da ideologia nazista na aristocracia francesa do século XVIII. O objetivo é analisar como a distinção de castas de Boulainvilliers fraturou a unidade nacional ao alegar uma ascendência germânica superior para a nobreza, reduzindo o povo francês à condição de súdito conquistado. Por meio de uma revisão teórica de As Origens do Totalitarismo, observa-se a transição do “direito de conquista” para um determinismo a-histórico. Conclui-se que a transformação dessa narrativa em doutrina racial por Gobineau substituiu a política pela biologia, estabelecendo a “internacional da aristocracia” como precursora da ideologia supranacional. Assim, o racismo emerge não como fenômeno biológico original, mas como recurso de classe para sustentar hierarquias de poder.