Big Brother é o alívio político de uma população despolitizada – V. Magnaroli

O Big Brother é um programa de televisão. Um jogo de entretenimento. É legítima sua existência na nossa realidade e acompanhá-lo não torna um sujeito menos inteligente ou menos crítico. Como qualquer programa de entretenimento, ele abre um espaço para abaixarmos a guarda. Não há nada de errado nisso e não há nada de exceção…

O outro real e o outro imaginado

O presente texto analisa a alteridade como uma condição ontológica manifesta na imprevisibilidade do contato, argumentando que o “outro”, para o eu, constitui-se a partir da vulnerabilidade sentida. Discute-se como a racionalidade neoliberal e o saber científico-disciplinar operam na neutralização dessa alteridade, convertendo sujeitos em “objetos humanos instáveis” e previsíveis, o que anula o potencial transformador da interação. Através da recuperação do conceito de “cuidado de si” em Michel Foucault, o trabalho propõe uma ética da autorreflexão material — exemplificada pela escrita de si — como forma de resistência à homogeneização das normas e manuais de conduta. Conclui-se que a interação casual e a aceitação da imprevisibilidade são fundamentais para uma constituição do eu que transcenda a submissão, permitindo uma inserção autêntica e singular no campo social e político.

A universidade pública é o alvo das fantasias pornográficas reacionárias

Se a fantasia pornográfica reacionária mostra um mundo de faz de conta que funciona como ameaça eterna à vida cristã reprimida, talvez seja no interior dessa fantasia que as gretas mostram sua utilidade. Talvez seja justamente a partir dessa fantasia que a fraqueza reacionária se mostra. 

Ideologia e racismo – Hannah Arendt

O fenômeno psicológico é o motor da transformação do corpo político das nações europeias: é a partir da sedução do racismo que a população europeia se viu diante de uma abertura para a criação de políticas racistas, ultrapassando o próprio alcance dos efeitos políticos da ideologia de classes.

A armadilha de ser multitasking – Byung-Chul Han

A demora é aniquilada na sociedade da positividade, a sociedade da peformance, pois o princípio da produtividade é internalizado pelo sujeito de tal maneira que sua própria subjetividade exerce o papel que um dia foi do fiscal, do gerente, do supervisor. A supervisão de si enquanto atividade íntima é produtora do sujeito inimigo do tédio, inimigo, assim, da filosofia.

Racismo e televisão no contexto brasileiro – Adilson Moreira

As construções de figuras sociais racistas presentes na formação discursiva racista operante no interior da estratégia de poder racial brasileira interligam diversas noções que associam raça, estética e moralidade. A figura do negro é frequente reproduzida como aquela que está sempre fora de lugar, que se situa num lugar alugado, num lugar roubado, num lugar falso e, por isso, pode ser o alvo do escárnio ou pode ser inserida como coadjuvante. 

[NEWSLETTER] Personalidade forte é desculpa para ser mal-educado

Olá, tudo bom? Aqui é o Vinicius Siqueira do Colunas Tortas e hoje eu gostaria de falar sobre um tema muito comum nos bate-papos do nosso cotidiano e extremamente comum na família e no ambiente de trabalho. Quero falar sobre personalidade forte. Trata-se de um rótulo bem específico que costuma funcionar como estigma. A pessoa…

Humor racista, cultura racista – Adilson Moreira

Diferentemente daquilo que é compreendido numa abordagem individualista ou interacional, o sentido racista da piada não é devedor somente dos sujeitos que a escutam. Pelo contrário, os sujeitos que escutam a piada racista são devedores do sentido que não só preenche o humor, mas que também os preenche enquanto espectadores e garantidores do efeito cômico.