A figura do corno na competição masculina

O homem que não chora é vazio de vulnerabilidade, não por de fato assim o ser, mas por incorporar a necessidade de escondê-la para jogar o jogo da jocosidade, para evitar ser confundido com uma mulher, para tornar seu corpo uma barra maciça de ferro impenetrável pela violência que deverá ser suportada. Assim, cabe ao corno aceitar sua estigmatização e lidar com o fato de que está incluído no circuito de masculinidade justamente pela desonra de sua condição.

No interior dos processos de socialização masculinidade, há um tipo de sociabilidade muito presente: a piada jocosa como forma de integração, apaziguamento e estigmatização.

Francisca Luciana de Aquino (2008) em sua dissertação de mestrado descreve uma dinâmica social de jocosidade entre homens em que o corno é aquele que, por sua desonra, tende a ser subjugado. Evidentemente, tal dinâmica demonstra uma competitividade no interior da própria masculinidade. A honra em ser homem está diretamente relacionada à inviolabilidade do matrimônio em sua estrutura: a mulher que trai, ao tomar para si uma conduta ativa, quebra certos pressupostos da vida familiar cristã em que cabe a ela uma posição de passividade.

O drama da classe média em ascensão – Pierre Bourdieu

Cabe ao pequeno-burguês se adaptar ao novo mundo que quer viver e que, ao mesmo tempo, é impossibilitado pelas relações que firmou com seu antigo mundo. Em todos os pequenos sacrifícios, ele se faz pequeno para tentar ser burguês, sem nenhuma garantia de sucesso e sem rede de apoio.

A sociedade é do consumo, mas as classes sociais não podem consumir

A sociedade do consumo se realiza, no Brasil, a partir da impossibilidade de realização do ato do consumo pela maior parte da população brasileira. Na medida em que a maior parte do assalariado brasileiro está sujeito à satisfação de necessidades básicas, mas imerso no mundo da publicidade, o consumo tende a ser um desejo e formatar uma sociabilidade que, no limite, não permite acesso pleno ao seu próprio núcleo.

Classe social – Pierre Bourdieu

A classe aparece como o resultado de uma relação entre propriedades adquiridas ao longo da vida, entre propriedades relativamente estáveis da classe de origem, entre a relação da capacidade de reproduzi-las na nova classe ou na própria classe, entre os acúmulos de capitais e o trânsito que se tem nos diferentes campos sociais.

A pesquisa participante: o que é? Como funciona?

A emancipação se liga à carne, se expressa na palavra, transforma a subjetividade dos participantes e não só sua cognição. Tomando como exemplo o trabalho de Paulo Freire: não só ensina a ler e escrever, mas constrói, em conjunto com os participantes, a própria histórica local e a memória coletiva por meio da prática da leitura e da escrita, por meio da aproximação que a leitura e a escrita podem ter com a vida política, econômica e cultural. 

Pedoar para seguir em frente. Mas quem segue em frente?

Introdução Nesta semana, Baby do Brasil foi filmada em um culto na balada D-Edge, na Barra Funda em São Paulo, quando pedia para que vítimas de abuso sexual perdoassem seus agressores. A fala da ex-cantora dos Novos Baianos: Perdoa tudo o que tiver no seu coração nesse lugar, perdoa. Se teve abuso sexual, perdoa. Se…

O que significa uma pesquisa ser participante? – Carlos Brandão

Trata-se de uma participação que não se resume ao fornecimento de dados à pesquisa, mantendo a estrutura de pesquisa em que o pesquisador é o protagonista e autor, enquanto os participantes são sujeitos e, ao mesmo tempo, objetos no interior da produção do conhecimento. Nesta mudança participativa, a própria autoria se vê compartilhada, o protagonismo se vê compartilhado e o resultado é fruto da própria ação coletiva sem liderança privilegiada do pesquisador.

10 princípios fundadores da pesquisa participante – Carlos Brandão

Esses dez princípios guiam o entendimento de o que é uma pesquisa participante, em que é fundamentada e quais são seus objetivos no interior de uma comunidade. De certo, a pesquisa participante é aquela em que o protagonista está naqueles que geralmente são fonte de dados: os participantes. Enquanto protagonistas, há uma nova relação que se constrói: em vez de sujeito-objeto, sujeito-sujeito.

Cossujeitos de pesquisa – C. R. Brandão

Para além de uma pesquisa com forte influência da educação popular, é uma pesquisa que envolve uma pedadogia política emancipadora, em que o outro é reconhecido como um sujeito legítimo de participação e, enquanto um outro, é parte do nós, do todo da pesquisa, tomador de decisão e detentor da palavra que fomenta o diálogo.