Resistência – Michel Pêcheux

A resistência é uma elaboração do erro que e repete até tranformar o próprio sentido. Se o discurso é um efeito de sentido entre locutores (Pêcheux, 1997) e, ao mesmo tempo, o sujeito do discurso é interpelado por formações discursivas, é necessário lembrar que todo ritual está sujeito a falhas e, portanto, todo discurso está sob a tensão do erro que abre margens para uma nova semântica. 

A heterotopia da cracolândia – A cidade e a droga

Enquanto espaço de insegurança pública, a cracolândia é o local da prática policial de controle, vigilância e punição. Ao mesmo tempo, é o local da ilegalidade controlada. Da ilegalidade com função econômica e política. Trata-se de uma heterotopia no interior de São Paulo que exerce funções diversas na cidade.

O crime do negro e o crime do branco – Cida Bento

No crime de colarinho branco, a legislação parece ser torcida para não se encaixar na situação. Tudo se passa de maneira esquisita, como se os agentes (brancos) do crime fossem mais que sujeitos de direito, como se fossem sujeitos DO direito. Ao contrário dos suspeitos negros, que são entendidos como culpados em processo de descoberta de seu crime.

Colonização e racismo – Cida Bento

A colonização e o racismo foram elementos que, em conjunto, estabeleceram uma divisão racial entre aqueles que devem trabalhar manualmente e aqueles que devem trabalhar intelectualmente. Com esta divisão, a própria ciência, que é uma prática inserida historicamente, tratou de fundamentar o racismo exigido pela prática colonial e capitalista. 

Meritocracia e racismo – Cida Bento

O pacto da branquitude é um elemento estratégico que garante o monopólio das posições de destaque aos brancos numa sociedade racista como a brasileira. Neste pacto, seja conscientemente ou inconscientemente, brancos assumem certa cumplicidade na manutenção de suas posições de destaque e reproduzem o racismo que permite esta desigualdade.

A figura do corno na competição masculina

O homem que não chora é vazio de vulnerabilidade, não por de fato assim o ser, mas por incorporar a necessidade de escondê-la para jogar o jogo da jocosidade, para evitar ser confundido com uma mulher, para tornar seu corpo uma barra maciça de ferro impenetrável pela violência que deverá ser suportada. Assim, cabe ao corno aceitar sua estigmatização e lidar com o fato de que está incluído no circuito de masculinidade justamente pela desonra de sua condição.

O drama da classe média em ascensão – Pierre Bourdieu

Cabe ao pequeno-burguês se adaptar ao novo mundo que quer viver e que, ao mesmo tempo, é impossibilitado pelas relações que firmou com seu antigo mundo. Em todos os pequenos sacrifícios, ele se faz pequeno para tentar ser burguês, sem nenhuma garantia de sucesso e sem rede de apoio.

A sociedade é do consumo, mas as classes sociais não podem consumir

A sociedade do consumo se realiza, no Brasil, a partir da impossibilidade de realização do ato do consumo pela maior parte da população brasileira. Na medida em que a maior parte do assalariado brasileiro está sujeito à satisfação de necessidades básicas, mas imerso no mundo da publicidade, o consumo tende a ser um desejo e formatar uma sociabilidade que, no limite, não permite acesso pleno ao seu próprio núcleo.