A casa dos homens – Daniel Welzer-Lang

Este trabalho analisa o processo de socialização masculina e a construção da masculinidade a partir do conceito de “casa dos homens”, de Daniel Welzer-Lang. Argumenta-se que a masculinidade não é inerente, mas produzida socialmente por meio de interações entre pares em ambientes homossociais. Nesses espaços, os jovens submetem-se a rituais rigorosos e frequentemente violentos, nos quais o sofrimento assume um papel disciplinar e educativo. O estudo examina como a glorificação da dor e a imposição do paradigma ativo/penetrante estabelecem hierarquias internas entre os homens, rejeitando simultaneamente o feminino. Consequentemente, a homofobia surge não apenas como preconceito, mas como ferramenta estrutural para disciplinar corpos e desejos, sustentando a dominação masculina. Ao analisar essas dinâmicas, o texto demonstra que o acesso ao privilégio masculino exige submissão inicial a um código violento, reforçando um modelo político de gestão dos corpos.

O Segundo Sexo de Simone de Beauvoir: crítica ao ponto de vista psicanalítico

Simone de Beauvoir reconhece o progresso psicanalítico em considerar “que nenhum fator intervém na vida psíquica sem ter revestido um sentido humano”. Contudo, critica o fato de que Freud toma fenômenos por dados, fracassando em explicar suas origens: a psicanálise toma por verdadeiros fatos inexplicados.

Pornografia e prostituição: Quando o sexo não é emancipatório (pt 2)

A prostituição têm sido frequentemente analisada dentro de uma perspectiva liberal de “escolha”, em que as mulheres prostituídas, sendo donas de seus corpos, têm o direito de vendê-los, exercendo um “trabalho como qualquer outro”. Ela também tem sido naturalizada na medida em que essa mercantilização de corpos – histórica e majoritariamente femininos – é desvinculada das relações de dominação de gênero, de seu papel dentro do patriarcado.

Pornografia e prostituição: quando o sexo não é emancipatório

Pensar a pornografia e a prostituição geralmente remete a (…) onde o que conta é unicamente a representação. No entanto, dissociá-las de sua função histórica e desprovê-las de seu caráter ideológico de dominação e hierarquia é um erro, ainda que sua problematização deva ser feita através de uma abordagem libertadora e não conservadora.