Os meios como dominação do homem

O meio é a mensagem, mas quem reflete sobre o meio? Se continuarmos consumindo pelo puro desejo de possuir e não pensar sobre as consequências, seremos o instrumento de nossa própria dominação.

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Atualmente, poucas pessoas pensam o conteúdo dos meios e um número menor ainda é capaz de refletir o próprio meio.

Marshall McLuhan protagonizou a ideia de que os meios de comunicação são a extensão do homem. Suas teorias permeiam a vida dos estudantes de comunicação até hoje. O autor nos leva a refletir a significação do meio e não só do conteúdo produzido para determinado tipo de tecnologia, como a televisão ou o rádio, por exemplo. Para ele, o meio é a mensagem.

Na contemporaneidade, poucas pessoas pensam o conteúdo dos meios e um número menor ainda é capaz de refletir criticamente sobre os próprios meios e suas consequências à vida. Segundo McLuhan, a mensagem transmitida pelo meio ganha importante relevância por sua influência social e psicológica. É ele que configura e controla a proporção e a forma das ações humanas.

Um exemplo é a estrada de ferro, que quando surgiu quebrou paradigmas, facilitando a mobilidade, o comércio e ligando pessoas que nunca tinham se visto antes ou a luz elétrica, que pode ser usada para ligar uma geladeira ou até em uma neurocirurgia. São tecnologias que não levam à reflexão, pois elas não são vistas como um processo que transmite uma mensagem às pessoas.

Atualmente, tudo virou mercadoria, pouco se pensa sobre o conteúdo, mas o desejo de consumir é onipresente na sociedade. Muitas pessoas não refletem mais porque precisam de um celular novo se o que já têm supre suas necessidades, mas sentem a necessidade de possuir o último modelo, que é mais “moderno”.

Um dia desses, fui apresentada a um vídeo sobre a tecnologia do futuro. A ideia essencial é uma vida permeada por vidros que se comunicam entre si e estão todos conectados. Na frente da cama há um vidro, no banheiro, no painel do carro, o celular é um vidro e o livro se transformou em uma folha transparente.

Fiquei me questionando sobre as consequências de toda essa tecnologia e comecei a perguntar às pessoas se elas desejavam aquele estilo de vida e por quê. Quase todas queriam, mas as justificativas não foram muito contundentes. Desejam aquilo porque é o futuro, cheguei a ouvir “nós estamos atrasados, vai demorar muito para chegar aqui”. Mas ninguém refletiu sobre as consequências e o impacto daquela tecnologia em suas vidas.

Se quase ninguém quer pensar o conteúdo do meio, quem irá pensar o próprio meio? Ao chegar em casa, a maioria das pessoas quer apenas descansar e relaxar. Aí se acomodam em frente à TV para não pensar. Entram em um estado vegetativo, somente absorvendo aquilo que lhe é dado pronto e depois reproduzem isso, sem questionar. Não, nós não estamos atrasados.

O que acontece é que se essa tecnologia for inserida na sociedade de uma hora para outra, será uma grande quebra de paradigma e as pessoas irão questioná-las. Inserindo aos poucos, elas vão se acostumando e isso se torna natural. Pensam “é a evolução, temos que evoluir, o mundo precisa disso ou vamos parar no tempo”. Já acontece hoje, os meios são utilizados para a manipulação da massa.

Temos dificuldade em separar o virtual do real, as coisas se transformaram em uma só. Mas esquecemos as pessoas que não tem acesso a esse mundo capitalista-tecnológico. Se continuar assim, com pouca reflexão sobre os meios e suas consequências, a manipulação será ainda maior e a maioria das pessoas não será mais dona de si, mas um objeto de quem pensa os meios e produz conteúdo para eles. Nesse ponto, quem não tem acesso obterá vantagem e talvez se tornarão os pensadores e dominarão, que pensa que é sujeito de si mesmo, mas na verdade se tornou a própria ferramenta de sua dominação.

Abaixo deixo o vídeo do qual falei aqui para uma reflexão sobre “nosso futuro”:

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