Trend “treinando caso ela diga não” é uma catarse do feminicídio

Este artigo analisa a trend “caso ela diga não” no TikTok, onde criadores encenam agressões contra parceiras após rejeição. Longe de ser apenas “humor do absurdo”, a prática revela uma catarse voltada à reafirmação da masculinidade hegemônica em crise. Apoiando-se em Butler, Althusser e Bauman, discute-se como esses vídeos funcionam como atualizadores de uma performatividade violenta. O humor, aqui, atua como gênero estruturante que mantém a cumplicidade social. Conclui-se que o conteúdo cristaliza a necessidade de obliterar o outro para a manutenção de uma honra masculina arcaica.

“Ele não acredita no que fala, é só um personagem”

O presente artigo analisa a tendência contemporânea de desqualificar discursos públicos nocivos sob a justificativa de serem “apenas personagens”. Através da sociologia de Erving Goffman, argumenta-se que a “fachada” e a representação social são constituintes da interação, tornando a crença íntima do emissor irrelevante diante do efeito produzido no mundo. O texto explora a “trama da cumplicidade” na cultura brasileira, dialogando com Sérgio Buarque de Holanda e Michel Pêcheux para demonstrar como a busca por uma autenticidade psicológica ignora a eficácia do sentido no corpo social. Conclui-se que a interpelação ideológica e os danos coletivos — como o machismo e o negacionismo — operam independentemente da sinceridade do ator, deslocando a responsabilidade ética do foro íntimo para a consequência objetiva da prática verbal na esfera pública.

Por que entendemos que a obra é um reflexo da consciência do artista?

O texto analisa a recepção da obra de arte sob a ótica de Bourdieu e Foucault, defendendo que o sentido de uma produção não emana apenas do autor, mas do olhar socialmente construído do receptor. O autor argumenta que existe uma clivagem de classe na percepção estética: enquanto o campo artístico legítimo valoriza a forma e a autonomia da obra, o público com menor capital cultural tende a aplicar critérios da “ética de vida”, reduzindo a criação a uma função moral ou biográfica. Essa dinâmica transforma a “posição-autor” no centro do julgamento, revelando como a interpretação da arte é moldada por habitus distintos e pela segregação social, que define quem possui os critérios para descolar o objeto artístico da moralidade de quem o criou.

Mulher na cozinha e homem na cozinha: os efeitos de sentido

A obrigação do ato de cozinhar para nutrir a prole se opõe à preferência pela cozinha no ato profissional do fazer culinário. Desta forma, se “mulher na cozinha” reproduz a desigualdade de gênero num gesto de evocação de uma suposta natureza feminina no ato de cuidar, “homem na cozinha” evoca a habilidade ou o estranhamento de um sujeito não pertencente à cozinha doméstica que, quando toma sua posse, a transforma em outro espaço discursivo.

Resistência – Michel Pêcheux

A resistência é uma elaboração do erro que e repete até tranformar o próprio sentido. Se o discurso é um efeito de sentido entre locutores (Pêcheux, 1997) e, ao mesmo tempo, o sujeito do discurso é interpelado por formações discursivas, é necessário lembrar que todo ritual está sujeito a falhas e, portanto, todo discurso está sob a tensão do erro que abre margens para uma nova semântica. 

O uso da ideologia em Michel Foucault – Maria do Rosário Gregolin

A ideologia, enquanto falseamento da realidade ou elemento diretamente ligado a um sujeito, é substituída por um entendimento anterior à consciência, em que o sujeito é fabricado, tem seu corpo marcado, por configurações de poder e tipos de saber. No nível do corpo, o poder cria condutas, no nível do sujeito, o saber entrega os enunciados possíveis para a enunciação.

Como fazer análise do discurso: metodologia – DROPS #58

FERNANDES, Carolina. Análise do Discurso: o que é e como faz? | Capacitações PET. Canal do Youtube do Grupo PET – Letras. Disponível aqui. Acesso em 14 de novembro de 2023. Como fazer análise do discurso? Primeiramente, é necessário fazer algumas considerações acerca da metodologia na análise do discurso. O primeiro ponto é: Michel Pêcheux…

Michel Pêcheux e a análise do discurso francesa

Índice Sobre Michel Pêcheux; A emergência da análie do discurso de linha francesa; O dispositivo de análise; As habilidades que se espera de um analista do discurso de linha francesa; Livros de Michel Pêcheux; Referências. Sobre Michel Pêcheux Michel Pêcheux nasceu em 1938, tornou-se filósofo na Escola Normal Superior em 1963 e teve como dois…

Formação discursiva: cruzamentos entre Foucault e Pêcheux, por Jean-Jacques Courtine – DROPS #71

COURTINE, Jean-Jacques. Análise do discurso político: o discurso comunista endereçado aos cristãos. São Paulo: EdUFSCAR, 2009, p. 82-84. O conceito de FD O termo “discurso” não é um termo primitivo, mas um objeto de construção para a Arqueologia. Essa elaboração o relaciona àquela de FD. “Chamar-se-á ‘discurso’ um conjunto de enunciados na medida em que…