Loucura enquanto ofuscamento – Michel Foucault

Enquanto o homem clássico se encontra sempre no trajeto da verdade que passa profundidade da noite e pela verdade da luz, o desatinado se perde pelas imagens que confundem o dia com a noite. O ofuscamento é forte o bastante para aproximar a loucura do signo da indiferença em relação à realidade.

A loucura em René Descartes – DROPS #12

DESCARTES, René. Meditações. 2º ed. São Paulo: Martins Fontes, 2005 (Clássicos), p. 31-33. Tudo o que recebi até o presente como mais verdadeiro e seguro, aprendi-o dos sentidos ou pelos sentidos; ora, algumas vezes experimentei que tais sentidos eram enganadores, e é de prudência jamais confiar inteiramente naqueles que uma vez nos enganaram.

Loucura e o sonho – Michel Foucault

Na loucura, um sonho é afirmado como real e conduz ao erro. O erro está elevado à impossibilidade do acerto, não exatamente à falta de correspondência do que se percebe com a realidade. A loucura, a partir do erro e da imersão no sonho, se faz como nada. Mas em seu estatuto de nada, a loucura paradoxalmente se manifesta na ordem da razão e, assim, é identificada em suas positividades particulares.

Temporalidade contemporânea a partir de Zygmunt Bauman – DROPS #11

Índice Introdução; Sempre conectados; Temporalidade na presença; Escravidão maquínica; Considerações finais. Referências. Introdução Na relação entre tempo e espaço, o primeiro termo é justamente aquele que pode ser manipulável, é o elemento que pode se flexibilizar, é a parte que pode ser rompida, encurtada. O tempo pode ser percebido de maneira diferente justamente quando o…

A grande internação – Michel Foucault

A pobreza foi o primeiro alvo formal das casas de internação, uma multiplicidade disforme foi seu habitante de fato: após o esvaziamento dos leprosários, o espaço vazio foi preenchido por uma massa confusa. Um novo gesto organiza uma nova sensibilidade à miséria e à assistência aos pobres, ao mesmo tempo, cria uma espaço que será preenchido pela confusa massa de desatinados, de infelizes percebido sob o signo da loucura durante a Idade Clássica através do nascimento de uma nova razão.

Por que sentamos em fileiras? Por Michel Foucault – DROPS #10

FOUCAULT, Michel. As malhas do poder. Barbárie, nr. 5, pp. 34-42, verão de 1982. Temos o hábito — e aí mais uma vez conforme o espírito de um marxismo um tanto primário – de dizer que a grande invenção, todo mundo sabe disso, foi a máquina a vapor, ou então, são invenções desse tipo. É…

As 4 características do delírio na Idade Clássica – Michel Foucault

A estrutura de percepção do delírio o coloca como elemento que transcende o corpo e atinge a alma, que transcende a observação do corpo e atinge uma estrutura elementar da loucura mas, ao mesmo tempo, é animado pela sua existência. A totalidade do corpo e da alma estão em jogo no discurso delirante.