A loucura enquanto recusa ética – Michel Foucault

A razão, enquanto escolha, é a negação de todo desatino do mundo, ou seja, é a constante afirmação de si num mundo razoável, é o recorrente questionamento acerca da verdade. Ao mesmo tempo, a loucura, enquanto também escolha, se coloca como culpa e primeiro passo da expressão do indivíduo louco no mundo. Escolhe-se pela loucura.

A morte do homem em Michel Foucault – DROPS #6

FOUCAULT, Michel. As palavras e as coisas. 8ª edição, São Paulo: Martins Fontes, 1999, p. 535-536. A morte do homem em Michel Foucault É que toda a epistéme moderna – aquela que se formou por volta do fim do século XVIII e serve ainda de solo positivo ao nosso saber, aquela que constituiu o modo…

O louco astrólogo – Michel Foucault

A magia não era mais inscrita no conjunto de técnicas e artes que obtêm sucesso na realidade concreta, no entanto, o século XVII ainda não havia a solidificado como compensação imaginária do fracasso em sua apreensão individual. Se a psiquiatria transformou estes signos mágicos e profanadores em inequívoco sinal de doença, por quase dois séculos ao longo de toda Idade Clássica, ainda transitavam em duas possibilidades: da impiedade e da extravagância, entre o profano e o patológico, justamente na posição de desatino.

Poder: Marx contra Foucault – DROPS #5

Segundo a crítica de Armando Boito Jr., a noção de poder em Michel Foucault representaria algo difuso, descentralizado, desmobilizante e desagregador. Difuso na medida em que nega as localizações estratégicas do poder nas relações de classe, descentralizado na medida em que retira o Estado do centro da análise também retirando o poder de sua centralidade institucional, desmobilizante na medida em que seria fundamento para movimentos que não se centram na conquista do poder de Estado e desagregador na medida em que prejudicaria uma noção coletiva de classe, afunilando as lutas sociais para pautas particularistas.

O aparelho ideológico religioso – Louis Althusser

É possível compreender que o aparelho ideológico religioso não se resume à instituição religiosa, mas compreende uma realidade de relações que reproduzem as relações de produção da formação social vigente a partir da(s) ideologia(s) religiosa(s) existentes. Como qualquer aparelho e principalmente os aparelhos ideológicos, há luta e há possibilidade de transformação sendo que, talvez, a teologia da libertação possa ser localizada num polo de contracorrente nas lutas presentes no aparelho religioso. 

Louco, o escandaloso – Michel Foucault

O escândalo do zoológico já não representa um sofrimento no espírito e uma tentativa de expiação. O campo do escândalo da loucura na Idade Clássica é aquele que o transforma em peça de teatro. A desrazão atrai justamente por seu afastamento do razoável que é um afastamento do humano. Na Idade Clássica, o louco domesticado não é um humano disciplinado, mas um animal adestrado.

A Idade Clássica Francesa

A “Idade Clássica” francesa refere-se ao período do final do século XVI ao início do século XVIII, mas tal expressão pode gerar confusão. A palavra “clássico” tem, de fato, três significados: o primeiro e mais óbvio refere-se aos “Escritos Clássicos” e ao ensino de autores ditos “clássicos”, isto é, tanto da antiguidade greco-romana como dos…