O artigo discute a constituição da identidade a partir da teoria de Antonio da Costa Ciampa. Diferencia-se a “política de identidade”, que estigmatiza e limita o sujeito, da “identidade política”, associada ao exercício coletivo da cidadania. O núcleo da identidade é a metamorfose contínua, contrapondo-se à ilusão de fixidez.
A “aparência de não metamorfose” surge quando o indivíduo repete exaustivamente a mesma identidade (“re-posição”), um esforço extenuante para manter papéis sociais e submeter-se a constrições externas. Embora a sociedade valorize histórias de vida lineares e coerentes, as rupturas são quotidianas. É através de pequenas ruturas e do fluxo natural da identidade-metamorfose que se libertam fragmentos de emancipação. Estes fragmentos viabilizam a autonomia e a busca por uma “vida boa” — livremente escolhida e isenta de coerções, aproximando o sujeito da emancipação social e pessoal.