Não existem comportamentos naturais em sociedade

O texto propõe a distinção entre “comportamento” — mecânico e biológico — e “conduta” — categoria ética e social. Através da análise de instintos e da teoria skinneriana, argumenta-se que ações biológicas só ganham sentido quando reconhecidas socialmente. Conclui-se que não há condutas naturais: toda performance em sociedade está imersa em significações que transcendem a causalidade genética.

A cumplicidade é uma trama

O presente texto analisa a exclusão social e ética a partir do desalinhamento entre o habitus e a doxa de um campo. Integrando a sociologia de Bourdieu, a dramaturgia de Goffman e a análise do discurso de Pêcheux, propõe-se o conceito de “trama de cumplicidade”. Esta trama é definida por um sistema de antecipações imaginárias e reconhecimentos mútuos (“eu sei que você sabe”) que sustenta a agência do ator social. O estudo argumenta que a adequação interacional é pré-reflexiva; quando essa cumplicidade falha, o indivíduo é destituído de sua subjetividade, sendo reduzido a “cenário” no jogo social. Conclui-se que o isolamento físico é a concretização de um isolamento ético e existencial prévio, onde a negação do acesso aos códigos da trama impede o pertencimento e compromete a alteridade, transformando o papel esperado em um enigma insolúvel para o sujeito excluído.

Por que entendemos que a obra é um reflexo da consciência do artista?

O texto analisa a recepção da obra de arte sob a ótica de Bourdieu e Foucault, defendendo que o sentido de uma produção não emana apenas do autor, mas do olhar socialmente construído do receptor. O autor argumenta que existe uma clivagem de classe na percepção estética: enquanto o campo artístico legítimo valoriza a forma e a autonomia da obra, o público com menor capital cultural tende a aplicar critérios da “ética de vida”, reduzindo a criação a uma função moral ou biográfica. Essa dinâmica transforma a “posição-autor” no centro do julgamento, revelando como a interpretação da arte é moldada por habitus distintos e pela segregação social, que define quem possui os critérios para descolar o objeto artístico da moralidade de quem o criou.

Estado e nação – Habermas

Índice Introdução; Estado; Nação; Considerações finais; Referências. Introdução A distinção entre Estado e nação é essencial para se compreender como esta articulação de conceito funciona como uma base de integração e controle social. Trata-se da articulação entre uma forma jurídico-política de administração com uma forma histórico-social de coesão. Jurgen Habermas contribui para este debate a…

O drama da classe média em ascensão – Pierre Bourdieu

Cabe ao pequeno-burguês se adaptar ao novo mundo que quer viver e que, ao mesmo tempo, é impossibilitado pelas relações que firmou com seu antigo mundo. Em todos os pequenos sacrifícios, ele se faz pequeno para tentar ser burguês, sem nenhuma garantia de sucesso e sem rede de apoio.

Classe social – Pierre Bourdieu

A classe aparece como o resultado de uma relação entre propriedades adquiridas ao longo da vida, entre propriedades relativamente estáveis da classe de origem, entre a relação da capacidade de reproduzi-las na nova classe ou na própria classe, entre os acúmulos de capitais e o trânsito que se tem nos diferentes campos sociais.

Tempo na sociedade líquida – Zygmunt Bauman

A sociedade do consumo prevê um uso ilimitado da velocidade com fim em diminuir os espaços e aumentar a possibilidade de acúmulo de experiências. A hesitação é desaconselhada em uma sociedade de tempos líquidos, em que a forma social do tempo pode ser representada pela alegoria ao pontilhismo. O tempo pontilhista exige a plena satisfação imediata dos objetivos de consumo e, ao mesmo tempo, exige a insatisfação por não ser possível satisfazer tal necessidade plenamente.

Cultura do consumo – Zygmunt Bauman

A cultura do consumo não só faz dos objetos uma necessidade para consumo, mas também transoforma os próprios individuos como objetos de consumo. Ao se compôr através do consumo de itens disponíveis no mercado, enquanto sujeito conhecido e reconhecido por meio dos adereços que o compõe, o sujeito do consumo se comoditiza e se transforma em mais um item de consumo.

Estratégia – Pierre Bourdieu

A estratégia “é produto do senso prático como sentido do jogo, de um jogo social particular, historicamente definido, que se adquire desde a infância, participando das atividades sociais” (BOURDIEU, 2004, p. 81). Sendo que senso prático é entendido como aquilo que, ao marcar o corpo, faz do corpo um suporte criativo de ações mais ou menos adequadas ao campo específico em que está inserido.