Poder: Marx contra Foucault – DROPS #5

Segundo a crítica de Armando Boito Jr., a noção de poder em Michel Foucault representaria algo difuso, descentralizado, desmobilizante e desagregador. Difuso na medida em que nega as localizações estratégicas do poder nas relações de classe, descentralizado na medida em que retira o Estado do centro da análise também retirando o poder de sua centralidade institucional, desmobilizante na medida em que seria fundamento para movimentos que não se centram na conquista do poder de Estado e desagregador na medida em que prejudicaria uma noção coletiva de classe, afunilando as lutas sociais para pautas particularistas.

O aparelho ideológico religioso – Louis Althusser

É possível compreender que o aparelho ideológico religioso não se resume à instituição religiosa, mas compreende uma realidade de relações que reproduzem as relações de produção da formação social vigente a partir da(s) ideologia(s) religiosa(s) existentes. Como qualquer aparelho e principalmente os aparelhos ideológicos, há luta e há possibilidade de transformação sendo que, talvez, a teologia da libertação possa ser localizada num polo de contracorrente nas lutas presentes no aparelho religioso. 

Louco, o escandaloso – Michel Foucault

O escândalo do zoológico já não representa um sofrimento no espírito e uma tentativa de expiação. O campo do escândalo da loucura na Idade Clássica é aquele que o transforma em peça de teatro. A desrazão atrai justamente por seu afastamento do razoável que é um afastamento do humano. Na Idade Clássica, o louco domesticado não é um humano disciplinado, mas um animal adestrado.

A Idade Clássica Francesa

A “Idade Clássica” francesa refere-se ao período do final do século XVI ao início do século XVIII, mas tal expressão pode gerar confusão. A palavra “clássico” tem, de fato, três significados: o primeiro e mais óbvio refere-se aos “Escritos Clássicos” e ao ensino de autores ditos “clássicos”, isto é, tanto da antiguidade greco-romana como dos…

A genealogia do poder em Michel Foucault – DROPS #4

A criminologia tradicional, positivista, biologicista, pôde ser criticada através justamente da aplicação de uma genealogia do poder, da aplicação do procedimento foucaultiano de análise, de forma que foi possível encontrar o crime num jogo de relações de poder maior que as relações imediatas que se desenrolavam no momento do crime.

O zoológico dos loucos – Michel Foucault

O zoológico dos loucos, assim como o jardim zoológico de nossa época, tem nos furiosos o objeto perfeito de docilização, mas também de pesquisa, da prática da escrita disciplinar, além de ser um local de transações econômicas, de garantia de lucro sobre uma mão-de-obra que não cobra pelos seus serviços. O furioso é entendido como o animal, objeto animado, boneco vazio de alma porém preenchido pela confusão e raiva da desrazão.

As causas distantes da loucura, ou do lunatismo – Michel Foucault

As causas distantes indicavam um conjunto de explicações possíveis, imediatas, mas de antecedência com a loucura. Indicavam uma distância física, uma distância que significava impotência perante a causa. No curso do século XVIII esta significação muda e um conjunto novo de condições emerge. Este conjunto insere o meio como elemento para se compreender o corpo humano e, assim, modifica a noção de causas distantes para aquilo que promove uma relação não só de antecedência, mas um novo sistema de relações causais que insere um novo tipo de corpo no olhar médico.

Janta filosófica excepcional #1: A sociologia da religião em Friedrich Engels

A possibilidade de uma sociologia da religião em Engels se dá através de suas observações sobre o fenômeno religioso em relação às classes sociais e seus interesses, além das relações entre a esfera religiosa e a esfera política. Desta forma, não há espaço para a afirmação utilizada de maneira vulgar e essencialista “a religião é o ópio do povo”.