“Quando se luta contra a exploração é o proletariado que não apenas conduz a luta, mas define os alvos, os métodos, os lugares e os instrumentos de luta”.
mais que uma opinião
“Quando se luta contra a exploração é o proletariado que não apenas conduz a luta, mas define os alvos, os métodos, os lugares e os instrumentos de luta”.
Uma das responsabilidades do capitalismo mercantilista nascente é lidar com o acontecimento com alguma segurança: é necessário resolver problemas que flagelaram a Europa durante séculos, sendo a escassez alimentar um deles. Para isso, os dispositivos de segurança são construídos, criados, elaborados de tal maneira que sua ação supere as limitações juridico-disciplinares (portanto, não deve se comportar como lei para intermediar) e se mantenha numa zona de liberdade, de liberalização. Tomando ainda a escassez alimentar como exemplo, o ponto central da elaboração biopolítica não é a resolução completa do problema para que a fome se extinga, mas sim a dispersão da fome, a dissociação da fome como flagelo social, transformada em problema de um indivíduo ou outro, mas não da população.
Entende-se que o biopoder cria normas através de um processo inverso ao do poder disciplinar: a norma não é uma medida ideal, quase uma meta e que estabelece uma normação; ela é de fato o normal estatístico, frequente, recorrente, que pode ser medido e comparado, que gera a normalização. Assim, tem-se um tipo de poder que consegue lidar com a norma como caminho para se chegar ao normal estatístico, mas não tem preocupação em garantir solução plena para seus problemas. Alcançar o normal é a estratégia inicial, que se desdobra para todas as segmentações possíveis.
Esta nova edição do Big Brother Brasil me obrigou a trazer alguns temas já antigos nesta coluna que mantenho no Colunas Tortas. Praticamente, esta edição do BBB ratifica aquilo que eu já havia falado sobre local de fala, apropriação cultural, gatilhos e etc. No entanto, há algo diferente aqui. E acredito que a figura da…
Escute a leitura do texto no vídeo abaixo! DELEUZE, Gilles. ¿Que és un dispositivo? In: Michel Foucault, filósofo. Barcelona: Gedisa, 1990, pp. 155-161. Tradução de Wanderson Flor do Nascimento. Disponível em<<http://bit.ly/3rkqH3E>>. Os dispositivos têm, então, como componentes linhas de visibilidade, linhas de enunciação, linhas de força, linhas de subjetivação, linhas de ruptura, de fissura, de…
A cidade da soberania é pensada como centro moral, estético e econômico do Estado. A cidade disciplinar distribui de maneira aprimorada cada espaço disponível a partir de um tipo específico de simetria. A cidade da segurança é previsível, ao mesmo tempo, trabalha para manter todo espaço de aleatoriedade dentro de um campo de controle. Nasce uma cidade pensada nos efeitos à população de cada decisão política de planejamento e distribuição espacial.
A sociedade de segurança é aquela, assim, cuja economia própria do poder tenha uma forma tal que possa ser denominada de segurança, majoritariamente com a franca prática dos dispositivos de segurança.
Simone de Beauvoir reconhece o progresso psicanalítico em considerar “que nenhum fator intervém na vida psíquica sem ter revestido um sentido humano”. Contudo, critica o fato de que Freud toma fenômenos por dados, fracassando em explicar suas origens: a psicanálise toma por verdadeiros fatos inexplicados.
O território ocupado e regido pelo necropoder gera dois tipos de lógicas próprias para aquelas que são suas vítimas: a lógica da sobrevivência e a lógica do martírio. Enquanto a primeira é amparada pela noção de morte do outro como possibilidade da sobrevivência do eu, a segunda insere o sacrifício como elemento de libertação e transgressão, tendo no homem-bomba sua ilustração perfeita.
A partir de Mbembe, entende-se que a colônia tardo-moderna é o laboratório de observação do exercício do necropoder. No território ocupado, tem-se a categorização de tipos de pessoas, sempre num status entre sujeito e objeto, de tal maneira que a própria humanidade deve ser vista em perspectiva. O racismo de Estado, enquanto necessidade para fazer morrer na tecnologia do biopoder, carrega consigo o fortalecimento da raça que se deve fazer viver; o necropoder não funda a morte na contrapartida da vida necessária, o necropoder age pela morte como necessidade civilizacional, como ação por si, classificação e proposta de morte.